As áreas de pasto na Amazônia triplicaram nos últimos 30 anos, ocupando hoje uma área superior à soma dos estados da Bahia e Rio de Janeiro. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (22) pela ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, a expansão da pecuária só foi possível graças à invasão de terras públicas e desrespeito às leis ambientais.
Boiadeiro conduz gado no Pará. (Foto: Agência Brasil)
Ao mesmo tempo em que aponta esse problema, a pesquisa indica que, em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,9 bilhões para a indústria frigorífica, o equivalente a 49,1% dos empréstimos à área industrial realizado pelo banco. A maior parte desses recursos foi direcionado a quatro grandes empresas com forte atuação na Amazônia. Na última semana, o ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou a liberação de mais R$ 10 bilhões para socorro a empresas da área.
| As áreas de pasto na Amazônia saltaram de 203 mil km², em 1975, para 616 mil km², em 2006. A área supera a soma dos estados da Bahia com o Rio de Janeiro. |
| Num período de 10 anos (1997 a 2007), o rebanho bovino dos estados que compõem a Amazônia Legal cresceu 77,4%, frente ao crescimento de 23,7% do rebanho brasileiro. |
| Enquanto em Barretos, no interior de São Paulo, um hectare de terra custa em média R$ 15 mil, no estado do Amazonas a mesma área sai por R$ 300. |
| O número de cabeças de gado na Amazônia atingiu seu pico em 2005, quando havia 74.589.450 animais na região, o equivalente a 36% do rebanho brasileiro. |
| Os maiores compradores estrangeiros de carne in natura dos estados da Amazônia Legal em 2008 foram, na ordem, Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Egito e Líbia. |
| Na Amazônia, a média é de 1,08 cabeça de gado por hectare. Isso significa que, em uma área equivalente à cidade de São Paulo, são criados 152 mil animais. |
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Para a Amigos da Terra, essa seria a oportunidade de começar a corrigir o caminho tomado pela pecuária na região. “São necessários investimentos expressivos, direcionados e consistentes para a recuperação e a reforma de pastagens, a intensificação do manejo, sistemas tecnológicos avançados, integrados e mais intensivos em capital humano, assim como para o amortecimento progressivo dos expressivos passivos legais. O financiamento para tais atividades pode ser mobilizado no lugar dos atuais subsídios genéricos para a expansão da pecuária”, diz trecho do estudo.
Pastos degradados
A pesquisa indica que 61,5% das áreas de pastagem no leste amazônico estão desgastadas em algum grau. Isso seria um estímulo a novos desmatamentos, já que é mais barato transformar em pasto um trecho de floresta do que recuperar uma área que não serve mais para o gado.
Para a ONG, investimentos na melhoria dos pastos só teriam efeito prático se fossem associados à regularização das terras na região, pois praticamente não há punição para a invasão de terras públicas. Essa “facilidade” na obtenção de terras tornaria pouco interessante a aplicação de recursos para melhorar a produtividade.

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