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22/04/09 - 13h13 - Atualizado em 22/04/09 - 13h30

Pecuária se expande baseada em grilagem e desmatamento, diz estudo

Pesquisa da ONG Amigos da Terra traz perfil do setor na Amazônia.
Frigoríficos receberam R$ 6 bi de investimentos públicos em 2008.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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As áreas de pasto na Amazônia triplicaram nos últimos 30 anos, ocupando hoje uma área superior à soma dos estados da Bahia e Rio de Janeiro. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (22) pela ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, a expansão da pecuária só foi possível graças à invasão de terras públicas e desrespeito às leis ambientais.

 

 

Foto: Agência Brasil

Boiadeiro conduz gado no Pará. (Foto: Agência Brasil)

 

Ao mesmo tempo em que aponta esse problema, a pesquisa indica que, em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,9 bilhões para a indústria frigorífica, o equivalente a 49,1% dos empréstimos à área industrial realizado pelo banco. A maior parte desses recursos foi direcionado a quatro grandes empresas com forte atuação na Amazônia. Na última semana, o ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou a liberação de mais R$ 10 bilhões para socorro a empresas da área.

 

Números do relatório 'A hora da conta'
As áreas de pasto na Amazônia saltaram de 203 mil km², em 1975, para 616 mil km², em 2006. A área supera a soma dos estados da Bahia com o Rio de Janeiro.
Num período de 10 anos (1997 a 2007), o rebanho bovino dos estados que compõem a Amazônia Legal cresceu 77,4%, frente ao crescimento de 23,7% do rebanho brasileiro.
Enquanto em Barretos, no interior de São Paulo, um hectare de terra custa em média R$ 15 mil, no estado do Amazonas a mesma área sai por R$ 300.
O número de cabeças de gado na Amazônia atingiu seu pico em 2005, quando havia 74.589.450 animais na região, o equivalente a 36% do rebanho brasileiro.
Os maiores compradores estrangeiros de carne in natura dos estados da Amazônia Legal em 2008 foram, na ordem, Rússia, Venezuela, Irã, Argélia, Egito e Líbia.
Na Amazônia, a média é de 1,08 cabeça de gado por hectare. Isso significa que, em uma área equivalente à cidade de São Paulo, são criados 152 mil animais.

 

Para a Amigos da Terra, essa seria a oportunidade de começar a corrigir o caminho tomado pela pecuária na região. “São necessários investimentos expressivos, direcionados e consistentes para a recuperação e a reforma de pastagens, a intensificação do manejo, sistemas tecnológicos avançados, integrados e mais intensivos em capital humano, assim como para o amortecimento progressivo dos expressivos passivos legais. O financiamento para tais atividades pode ser mobilizado no lugar dos atuais subsídios genéricos para a expansão da pecuária”, diz trecho do estudo.

 

Pastos degradados

 

A pesquisa indica que 61,5% das áreas de pastagem no leste amazônico estão desgastadas em algum grau. Isso seria um estímulo a novos desmatamentos, já que é mais barato transformar em pasto um trecho de floresta do que recuperar uma área que não serve mais para o gado.

 

Para a ONG, investimentos na melhoria dos pastos só teriam efeito prático se fossem associados à regularização das terras na região, pois praticamente não há punição para a invasão de terras públicas. Essa “facilidade” na obtenção de terras tornaria pouco interessante a aplicação de recursos para melhorar a produtividade.

 

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