Formul�rio de Busca

29/04/09 - 10h08 - Atualizado em 29/04/09 - 10h39

Ribeirinhos vivem sobre as águas em Santarém, no Pará

Casas, empresas e escolas são construídas sobre palafitas.
Pessoas passam dias seguidos sem pisar em terra firme.

Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

Tamanho da letra

 

Imagine como seria viver cercado de água por todos os lados: água em volta de casa, água nos jardins, água nas escolas, a rua é a água. Terra firme é raridade na paisagem do Tapará Grande, a duas horas de barco de Santarém. São as terras mais baixas de toda a Planície Amazônica.

 

Visite o site do Bom Dia Brasil

O Tapará é um braço do Rio Amazonas. Na região da várzea, no oeste do estado do Pará, vivem pouco mais de quatro mil famílias. De março a agosto é o período das cheias. Tudo vai sendo tomado pelas águas e muitos moradores têm que abandonar as casas. A natureza determina o ritmo da vida.

O ano de 2009 trouxe a maior cheia dos últimos anos. Nas áreas de Urucurituba e Piracãoera de Baixo, a oito horas de barco de Santarém, a Defesa Civil interditou escolas e casas. 

 

Na cheia, o nível dos rios Amazonas e Tapajós sobem de sete a dez metros. A água avança sobre as margens; inunda os campos, os pastos, as casas. Os ribeirinhos passam dias seguidos, sem pisar em terra firme. O corpo sente falta. “Doem as pernas, o corpo. O corpo fica pesado. Vai para Boa Vista para passear. Às vezes a gente só parado aqui. Dói. Tem que andar, se movimentar. Os pés ficam até duros”, conta um morador.

O que não é barco, tudo aquilo que não flutua, tem que ser construído sobre palafitas: casa, empresa, escola. Nos degraus da escada, que no tempo de seca conduz à entrada da casa, as ovas de caracol - segundo a crença popular - marcam até onde o nível da água vai subir na cheia.

Sem quintal para ciscar, as galinhas vão para a copa das árvores, entre as folhagens, se escondem do ataque de gaviões. É também nas árvores e arbustos que as cobras - como a venenosa papagaia - se abrigam das enchentes.

Os búfalos têm que pastar nas áreas alagadas e nessa época se alimentam de plantas aquáticas. A chuva vai e volta. As águas sobem mais ainda. Francinei luta para salvar o que restou do sítio. Ele e os filhos levam mais de uma hora para embarcar dois bois e três cavalos no espaço apertado do barco.

A correnteza do rio balança o horizonte. O barco atravessa o imenso Amazonas em busca de terra firme. Uma cara de susto, um choro, um monte de doenças para combater. É dia de vacinação, um raro dia de sol na várzea.

 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou ideias para melhorar
a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail,
telefone e, se possível fotos ou vídeos.


Leia mais notícias de Amazônia

Enviar para amigo

Há problemas com o preenchimento do formulário.

A lista dos campos abaixo e assinalados em amarelo contém erro.

  •  

Há problemas com o preenchimento do formulário.

Preencha novamente o campo abaixo com o texto da imagem.

Sucesso!

Sua mensagem foi enviada com sucesso! Clique aqui para enviar uma nova mensagem ao G1.

Formulário de envio para amigo
  • separar os emails por vírgulas

  • limitado em 600 caracteres


últimas notícias de amazônia

  1. SEX, 07/01/2011
  2. 13:33 | Amazonia

    Índios suruí apostam no mercado de carbono para conservar sua terra em RO

    Pela internet, é possível ver o que acontece na reserva. Indígenas usam aparelho com GPS para controlar a floresta.

  3. TER, 04/01/2011
  4. 20:08 | Amazonia

    Filhote de peixe-boi sem a mãe é resgatado no Amazonas

    Animal foi encontrado em comunidade de Iranduba (AM). Mamífero aquático é o primeiro a chegar a instituto em Manaus em 2011.

  5. 12:48 | Amazonia

    Expedição faz levantamento inédito do Parque da Serra do Pardo, no Pará

    Marcado pelo desmatamento, local concentra riqueza de plantas e animais. Reserva está na região conhecida como Terra do Meio.

  6. SEG, 03/01/2011
  7. 16:50 | Amazonia

    Peru faz proposta para receber financiamento do Fundo Amazônia

    Asfaltamento de rodovia exige maior controle de desmatamento. Projeto custaria US$ 4,4 milhões ao longo de 2 anos ao fundo brasileiro.

» todas as notícias


editorias

G1 especiais

serviços


Formulário de Busca


2000-2012 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade