A chuva não dá trégua ao Amazonas. O nível dos rios não para de
subir. Em muitas comunidades, os agricultores perderam toda a
produção.
Na esperança de salvar o gado, o ribeirinho
constrói marombas, que são estruturas acima do nível da água.
"A gente vai colocando os paus. Depois, forra
com o bagaço de canarana”, explicou o agricultor.
A cheia deste ano veio mais rápido do que o
esperado. Em Manaus, o Rio Negro já passou da cota de alerta.
Chegou a 28,95 metros e se aproxima da marca história de 29,69
metros, de 1953. Os reflexos da grande cheia deste ano podem ser
vistos ao longo dos grandes rios da região. Na casa da dona
Regina, o assoalho foi levantado para enfrentar a água.
Em Iranduba, a 60 quilômetros de Manaus, a estrada
que dá acesso às comunidades rurais está alagada. Virou caminho
para os barcos levarem o que sobrou da produção para a cidade.
Na várzea da cidade, ninguém escapou dos prejuízos causados pela
cheia.
São 1.500 agricultores que, nas contas da
prefeitura, estão deixando de produzir 200 toneladas de
alimentos por semana devido à cheia. O bananal de Raimundo
Fernandes, por exemplo, terá de ser todo cortado para que ele
faça o replantio quando as águas baixarem. Colheita no lugar de
novo, só no ano que vem.
O agricultor precisa cair na água para garantir a
roça do próximo ano. Ele corta os bananais velhos e retira os
brotos para guardar até que a água baixe.
A mandioca também é levada para um lugar seguro.
Pelos dados do Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas, trinta e oito
municípios tiveram a produção afetada pelas chuvas. As culturas
que mais sofreram foram as de banana, mandioca, hortaliças, juta
e malva. O instituto está fazendo um cadastro das perdas para
que os produtores possam receber alguma ajuda do Estado.
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