Dois barulhentos geradores a diesel que funcionavam desde 1981 no
Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, foram aposentados
nesta semana. Eles foram substituídos por doze placas solares de
menos de um metro quadrado, que darão conta de alimentar luzes
para 14 cômodos, duas TVs com DVD e dois refrigeradores.
A instalação da nova fonte de energia não foi
barata. Segundo Hueliton Ferreira, analista ambiental de
Anavilhanas, todo o projeto custou R$ 30 mil. Ao longo do tempo,
contudo, a economia pode compensar. As duas bases flutuantes que
receberam a nova tecnologia gastavam 3 mil litros de óleo diesel
por ano gerar energia elétrica. Considerando o preço local do
combustível, de cerca de R$ 2,50, a energia solar pode gerar
economia de R$ 7.500 anuais, compensando o investimento em
quatro anos.
Até 2008, o arquipélago de Anavilhanas, no Rio Negro, era uma estação ecológica. Para estimular o turismo, o local transformado em parque nacional. (Foto: ICMBio/Divulgação)
Ferreira calcula que, quando o tempo está aberto, todas as baterias do sistema possam ser carregadas em apenas um dia. Com tempo nublado, a carga é mais lenta. “Sem alimentação, as baterias duram uns quatro dias, usando todos os equipamentos da base”, informa. Graças a conversores, a energia gerada é de 110 volts, não sendo necessária nenhuma adaptação aos aparelhos eletrônicos.
Diesel na Amazônia
O modelo implantado em Anavilhanas pode servir de exemplo para locais isolados na Amazônia. Hoje, vilas e até cidades inteiras consomem energia vinda de geradores a diesel, que são poluentes e eliminam gases causadores de efeito estufa.
Cada base flutuante recebeu seis placas para geração de energia. (Foto: ICMBio/Divulgação)
No início do ano, um acidente mostrou que os problemas ambientais
dos geradores a diesel não param por aí: um barco que levava
combustível para abastecer uma usina em Santa Rosa do Purus
(AC), na divisa com o Peru, virou
e derramou óleo por cerca de 300 quilômetros no Rio
Purus.
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