Gravações telefônicas feitas durante as investigações da Operação
Cupim, que levaram à prisão de 15 pessoas acusadas de articular
um esquema de transporte ilegal de madeira da Amazônia para o
Sudeste revelam o caso de um fiscal que não quis se corromper e
fez um caminhoneiro com carregamento irregular abandonar seu
veículo na estrada.
Também trazem à tona um caso engraçado: segundo o
que se ouve numa das ligações, um caminhoneiro pagou propina
para a pessoa errada por engano e o empresário que contratou
seus serviços, irritado, questiona como fará para reaver o
suborno.
Na última segunda-feira(11), 14 pessoas foram
presas (uma outra já estava detida) sob a acusação de
desmatamento ilegal da floresta amazônica, formação de
quadrilha, falsificação de documentos, sonegação fiscal,
corrupção de servidores públicos e lavagem de dinheiro. A ação
foi executada pela Polícia Rodoviária Federal, o Ministério
Público de Mato Grosso do Sul e o Grupo de Atuação Especial de
Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Leia mais sobre o esquema desarticulado pela
Operação Cupim
Ouça abaixo, com exclusividade, algumas das
gravações feitas durante as investigações da operação obtidas
pela reportgem do Fantástico.
Propina para a pessoa errada
- Esta gravação mostra o empresário Júlio Pereira, detido
durante a operação, reclamando com um caminhoneiro que entregou
dinheiro de propina para a pessoa errada. "Você deu o
dinheiro pro negão?", pergunta. "Dei, uai",
responde o caminhoneiro. "Mas não era para dar para ele. Eu
falei pra você", irrita-se o empresário, que conlcui:
"Se eu não conseguir pegar de volta eu vou descontar de você".
Caminhoneiro tenta pagar propina
– Segundo informações da polícia, o empresário Julio
Pereira, acusado de participar do esquema, fala com Cival dos
Santos, acusado de falsificar os carimbos para a
quadrilha. Pereira reclama que um caminhoneiro está tentando
corromper um fiscal na estrada, mas ele não aceita. "O
motorista tem que ser profissional", observa Santos, ao
recomendar que o caminhoneiro insista em pagar propina para
passar com o carregamento de madeira.
Fiscais não aceitam suborno
- Julio Pereira retoma contato com Cival dos Santos e conta
que o motorista parado pelo fiscal que não aceitou propina ficou
com medo da situação e fugiu, deixando o veículo carregado para
trás. Santos diz que o motorista se precipitou: "A equipe
(de fiscalização) ruim (a que não aceitaria propina) foi embora".
Fiscal combina pagamento
– Neste telefonema, um integrante do esquema não
identificado discute com o fiscal Maurício Bueno Filho a
passagem de um caminhão no posto de controle. "Tem que
carimbar aí e fazer o passe, aí nós paga (sic) para você,
beleza?", diz. "Fica Tranquilo. Só que me avisa.
(....) Domingo eu estou lá", responde o fiscal.
Carimbo falsificado - Uma carreta de madeira viaja de Marcelândia (MT) para Sorocaba (SP) e é parada com documento com carimbo falso. O fiscal Maurício Bueno Filho reclama com Júlio Pereira que teria sido melhor deixar o papel sem o carimbo e pagar uma multa. "Agora vai virar um rolo", diz o fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda de Mato Grosso do Sul.
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