Durante quatro meses, Policia Rodoviária Federal e o Gaeco – grupo de promotores que combatem o crime organizado – mapearam um esquema de corrupção e de venda de madeira da floresta amazônica. Segundo os responsáveis pela investigação, havia fraude de notas fiscais e pagamento de propina.
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Árvores recém-cortadas chegavam a serrarias de
Sinop e Marcelândia, em Mato Grosso, uma das regiões mais
desmatadas do estado. Depois, a madeira ilegal passava por Mato
Grosso do Sul até São Paulo e Paraná.
Leia mais sobre o esquema desarticulado pela
Operação Cupim
No começo da semana, foram presas 15 pessoas. O
Fantástico teve acesso a toda investigação, inclusive aos
grampos telefônicos que mostram como era feito o pagamento de
propina a fiscais estaduais.
Gravações
Em uma dessas gravações, de um lado da linha estava o funcionário público Maurício Bueno Filho. Do outro, o empresário Júlio Pereira, dono de uma transportadora. Eles conversavam sobre o pagamento de mil reais de propina para que o fiscal liberasse a passagem de um caminhão lotado de madeira extraída ilegalmente da Amazônia.
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Os fiscais acusados de corrupção trabalham em um
posto da Secretaria Estadual da Fazenda, em Sonora, Mato Grosso
do Sul. No dia da prisão, Mauricio Bueno Filho negou tudo. O
chefe da equipe de fiscalização também foi preso, e disse que
não participava do esquema.
O fiscal, contudo, foi flagrado em um telefonema
pedindo mil e quinhentos reais para liberar a passagem de um
caminhão. O dinheiro iria para a conta bancária dele.
“Alguns maus agentes fazem esse tipo de
facilitação propiciando essa cadeia nefasta contra toda uma
coletividade. Porque o crime ambiental atinge a nação como um
todo”, afirma o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do
Sul, Miguel Vieira da Silva.
A quadrilha também é acusada de fraudar notas
fiscais para transportar madeira da Amazônia, principalmente
peroba. Em um dos casos, quatro notas com o mesmo número foram
usadas em carregamentos diferentes. Nelas, não há peroba, mas
árvores de menor valor que poderiam ser derrubadas legalmente.
Além disso, com carimbos falsos, os acusados davam
aparência de legalidade ao documento e conseguiam passar a
madeira de um estado para o outro. “Qualquer agente publico que
tivesse ali poderia usar a desculpa: ‘Ah, mas estava
carimbado’”, afirma o procurador.
A investigação mostra que 90% dos motoristas que
transportam madeira ilegalmente só viajam à noite. O motivo é
simples: em de Mato Grosso do Sul, as balanças que verificam se
o carregamento está ou não dentro do peso só funcionam durante o
dia. À noite, a passagem é livre.
“Além da consequência do prejuízo ambiental, você
tem também o prejuízo fiscal. Um veículo acima do peso,
transitando à noite, resulta em insegurança no trânsito”, afirma
o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Valter Aparecido
Favaro.
“Até 31 de julho, teremos 78 balanças fixas e
moveis operando em todo Brasil. Quando você tem o sistema
implantado, funciona 24 horas”, promete o diretor-geral do Dnit
(Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a quadrilha
presa nesta semana lucrou cerca de R$ 10 milhões em quatro
meses. O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul diz
que a maior parte da madeira nobre que sai ilegalmente da
Amazônia vai para fábricas de móveis, em grandes centros
urbanos. “Se há um consumo e uma facilidade pra isso chegar lá,
é como qualquer outro crime, consumo de drogas, roubo de carro.
Porque tem alguém que consome isso.”
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ideias para melhorar
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