O deputado por Rondônia Ernandes Amorim (PTB). (Foto: Agência Câmara)
Reduzir em 30% todas as reservas do país maiores de 200
quilômetros quadrados (20 mil hectares) é a proposta do deputado
Ernandes Amorim (PTB-RO) para evitar a expulsão de agricultores
que vivem em áreas de conservação, como está acontecendo em seu
estado na Floresta Nacional do Bom Futuro.
Após meses de ensaios, uma megaoperação
liderada pelo Ibama ocupou a reserva, considerada uma
das mais desmatadas do país. São mais de 350 agentes envolvidos,
entre eles membros do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Polícia
Militar Ambiental de Rondônia, Exército e Incra.
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O objetivo da ação é coibir os desmatamentos, a
ocupação irregular e a criação de gado dentro de Bom Futuro, que
fica ao sul da capital do estado, Porto Velho. Criada em 1988, a
reserva já perdeu cerca de 25% de sua cobertura vegetal, segundo
o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
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“Na época que criaram [Bom Futuro] não tomaram o cuidado de olhar
os problemas que havia na área. Nesse setor hoje há uma
população de 6 mil famílias, já teve 150 mil cabeças de gado e
hoje restam umas 40 mil”, diz Amorim. “O ministro [do Meio
Ambiente Carlos] Minc quer retirar de qualquer maneira,
rapidamente, sem ter onde colocar essas famílias, sem ter
recursos para poder indenizar as propriedades ou as benfeitorias
que essa população fez”, critica o deputado.
Sua proposta para diminuir as reservas maiores de
200 quilômetros quadrados, que segundo ele, está na mão de
assessores para que seja aprontada e apresentada na Câmara,
afetaria, por exemplo, todas as florestas nacionais da Amazônia.
Segundo dados do site do ICMBio, há 28 no bioma amazônico - e as
florestas nacionais são apenas uma das categorias de reserva do
instituto.
Para Amorim, a medida seria a solução também para
os arrozeiros da Raposa Serra do Sol, em Roraima, que tiveram de
deixar suas plantações após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Inquérito
Em março, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito
que investiga Amorim, que é pecuarista, pelo desmatamento de 16
quilômetros quadrados de floresta amazônica, incluindo áreas que
estão dentro de parques e reservas.
Amorim afirma que notificações de que tem sido
alvo por parte das autoridades ambientais são feitas com a
intenção de prejudicá-lo. “O pessoal do meio ambiente, tendo em
vista o meu posicionamento, tem constantemente buscado me
prejudicar. Eles entraram com denúncias contra a minha pessoa
que estamos respondendo na Justiça. São áreas que não nos
pertencem, que nos multam em nosso nome para nos prejudicar,
para nos amedrontar”, defende-se.
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