As sementes de guaraná produzidas em Maués, no Amazonas, podem ganhar um selo de exclusividade. Esse é o projeto dos agricultores da região, que querem obter um registro de indicação geográfica, semelhante ao que há hoje para o champanhe, na França.
Semente do guaraná produzida em Maués é vendida para a produção de bebidas, cosméticos e fitoterápicos. (Foto: Cleferson Barbosa/Stock.XCHNG)
O objetivo dos produtores é agregar valor ao guaraná e garantir
que as sementes produzidas fora da Amazônia não sejam vendidas
como se viessem de lá. “A qualidade do guaraná de Maués é
diferente. Ele contém mais cafeína e tudo nele é feito de forma
artesanal: o plantio, a colheita, a torrefação nos fornos de
barro, tudo feito pelos caboclos e pelos [índios] saterés”,
garante o prefeito da cidade, Miguel Paiva Belexo.
Segundo ele, há no local cerca de 2.500 famílias
que vivem da produção de guaraná, que é uma das principais
fontes de renda do município.
Um tipo de certificação que já começou a trazer renda extra para
a região foi a criação de um selo para o guaraná produzido de
forma orgânica. “Temos mais de 90 produtores com selo. Ele
garante que não são usados agrotóxicos, que é feita uma adubação
orgânica com biofertilizantes”, afirma o prefeito.
“Quando não tínhamos a certificação, o quilo do
guaraná custava R$ 13. Com o orgânico, alcançamos R$ 44 o quilo.
Nenhum produto em grãos in natura que conheço por aqui
chega a esse preço”, argumenta.
O certificado de que o guaraná provém da Amazônia
é especialmente interessante para a indústria de refrigerantes,
que utiliza matéria-prima da região. Os fabricantes poderiam
estampar frases e logotipos em seus rótulos garantindo a
qualidade da bebida.
Processo longo
Conseguir um selo de indicação geográfica não é
uma tarefa simples. No Brasil, esse tipo de certificado é
concedido pelo Inpi (Instituto Nacional da Propriedade
Industrial). O órgão exige que os produtores se organizem e
provem que a mercadoria possui características exclusivas. Além
disso, eles têm que garantir produção com qualidade uniforme,
além de mostrar que são capazes de atender ao mercado com
regularidade.
Se todos os quesitos forem cumpridos, o guaraná de
Maués poderá alcançar o status conferido ao vinho do Vale dos
Vinhedos, ao café do Cerrado de Minas Gerais ou à cachaça de
Paraty, que já conseguiram a certificação no Inpi.
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