Formul�rio de Busca

27/05/09 - 09h49 - Atualizado em 27/05/09 - 09h49

Penhascos abrigam 'cidade dos mortos' na Amazônia peruana

Casas construídas há séculos tinham múmias e tesouros.
Povo mantém tradição de homenagear falecidos com música e comida.

Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

Tamanho da letra

 

Nos paredões de uma Amazônia quase desconhecida, no norte do Peru, as montanhas servem de morada para quem já partiu deste mundo. Pequenas casinhas marcam uma das cidades dos mortos, herança do povo que antecedeu os incas, a civilização chachapoya.

 

Acesse o site do Bom Dia Brasil

Para chegar até o sítio arqueológico, o caminho é duro de encarar. Só se chega a pé. A cidade fica a 2,9 mil metros de altitude: são três horas de caminhada exaustiva.

Quando a subida acaba, começa o trecho mais perigoso. A trilha passa a um palmo do abismo. Todo cuidado é pouco. Qualquer escorregada pode levar o aventureiro a pedir abrigo em curiosos túmulos históricos.

Para os chachapoyas, os mortos eram tratados com os mesmos privilégios que mereciam os vivos, às vezes, até mais, dizem os pesquisadores. Eram abrigados em casas de até dois andares. Tudo para proteger os corpos e as múmias da chuva e principalmente dos inimigos.

Dentro das casas, não dá para ver muita coisa além dos cômodos vazios. É como se a cidade dos mortos estivesse desabitada. Na verdade, ela foi saqueada ao longo dos tempos. Os cadáveres eram levados para lá, com todos os seus objetos pessoais, inclusive joias.

Perto dali ficam os sarcófagos de Carajya, um dos cartões-postais da Amazônia peruana. Lá, no alto da rocha, bem na vertical, que os povos chachapoyas e incas guardavam seus mortos. “Dominavam muito bem o equilíbrio, e não só isso, era uma questão de sabedoria”, diz a pesquisadora Hildegard de Leon.

Equilíbrio é a palavra-chave, diz a pesquisadora. Não apenas para escalar o paredão, mas também para viver em harmonia com a natureza.

Um desafio e tanto. Os rituais levavam meses até deixar o cadáver de cara para o leste, bem em frente à nascente do sol. Em nenhum outro lugar do mundo se encontra essa forma de enterro. Cada família ocupava seu sarcófago e o herói da aldeia tinha seu crânio exibido como se fosse um troféu. Com óxido de ferro, pintavam os símbolos da civilização no rosto da urna.

“Morrer não era o fim da vida", aponta a pesquisadora Hildegard de Leon.

Tradições preservadas

A morte era só uma passagem para outra vida. Lá pelo século 12, os chachapoyas já defendiam essa crença. Formaram uma legião de seguidores, que até hoje, tratam quem já se foi como se ainda estivesse entre nós.

É o que ocorre na cidade de Luya, que fica no centro do estado do Amazonas peruano. Os moradores fazem festa na casa dos mortos. Ao contrário de nós, brasileiros, que rezamos em silêncio quando lembramos dos parentes e dos amigos que já se foram, os mortos de lá são visitados no cemitério com música e banquete.

 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem relatos interessantes sobre a história da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível fotos ou vídeos.

Leia mais notícias de Amazônia

Enviar para amigo

Há problemas com o preenchimento do formulário.

A lista dos campos abaixo e assinalados em amarelo contém erro.

  •  

Há problemas com o preenchimento do formulário.

Preencha novamente o campo abaixo com o texto da imagem.

Sucesso!

Sua mensagem foi enviada com sucesso! Clique aqui para enviar uma nova mensagem ao G1.

Formulário de envio para amigo
  • separar os emails por vírgulas

  • limitado em 600 caracteres


últimas notícias de amazônia

  1. SEX, 07/01/2011
  2. 13:33 | Amazonia

    Índios suruí apostam no mercado de carbono para conservar sua terra em RO

    Pela internet, é possível ver o que acontece na reserva. Indígenas usam aparelho com GPS para controlar a floresta.

  3. TER, 04/01/2011
  4. 20:08 | Amazonia

    Filhote de peixe-boi sem a mãe é resgatado no Amazonas

    Animal foi encontrado em comunidade de Iranduba (AM). Mamífero aquático é o primeiro a chegar a instituto em Manaus em 2011.

  5. 12:48 | Amazonia

    Expedição faz levantamento inédito do Parque da Serra do Pardo, no Pará

    Marcado pelo desmatamento, local concentra riqueza de plantas e animais. Reserva está na região conhecida como Terra do Meio.

  6. SEG, 03/01/2011
  7. 16:50 | Amazonia

    Peru faz proposta para receber financiamento do Fundo Amazônia

    Asfaltamento de rodovia exige maior controle de desmatamento. Projeto custaria US$ 4,4 milhões ao longo de 2 anos ao fundo brasileiro.

» todas as notícias


editorias

G1 especiais

serviços


Formulário de Busca


2000-2012 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade