O secretário de Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, deixou o
cargo, informou o governo do estado nesta quinta-feira (27).
Segundo a assessoria da governadora Ana Julia Carepa (PT), a
saída de Ortega foi definida de comum acordo e não tem relação
com o suposto esquema de corrupção na Secretaria de Meio
Ambiente tornado público na segunda-feira.
A assessoria do governo ressalta que foi
iniciativa do próprio Ortega a investigação de irregularidades
cometidas no sistema que controla o fluxo de madeira no estado.
Ele estaria saindo do cargo, afirma o governo, principalmente
por causa das grandes pressões que vinha sofrendo para autorizar
novas áreas de manejo florestal, muitas vezes em áreas irregulares.
O substituto de Ortega será Aníbal Picanço, que até então ocupava o cargo de superintendente do Ibama no estado. O Globo Amazônia tentou entrar em contato com o secretário demissionário, mas não conseguiu localizá-lo até o fechamento desta reportagem.
Fraude
Na segunda-feira, o governo paraense admitiu que uma fraude no
sistema liberou para venda cerca de dois mil caminhões de
árvores cortadas de forma ilegal. Segundo nota oficial, o
estoque de madeira autorizada para corte, que é controlado pela
Sema, foi alterado por funcionários da própria instituição. Nove
pessoas foram afastadas para a apuração das irregularidades.
A fraude teria facilitado o comércio de 50 mil
metros cúbicos de madeira ilegal. Considerando o preço médio das
toras na região, a operação envolve cerca de R$ 15 milhões.
Entre as espécies autorizadas há ipê, maçaranduba, angelim e
sucupira, todas de alto valor comercial.
Investigações preliminares indicam que a
movimentação nos saldos de estoque foi feita de dentro da
própria Sema, já que não haveria indícios do ataque de hackers.
Para entrar no sistema, foram utilizadas senhas de funcionários
do governo, e as mudanças foram feitas fora do horário de
expediente.
Um processo disciplinar foi aberto na secretaria
para a apuração das fraudes. Segundo o governo do Pará, todas as
informações sobre o caso estão sendo repassadas ao Ministério
Público Federal e à Polícia Federal.
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