O Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou, nesta quarta-feira (3), que aceitou a proposta do governador de Rondônia, Ivo Cassol, de trocar a Floresta Nacional do Bom Futuro, federal, por áreas de preservação estaduais. A reserva, ocupada por milhares de famílias, é uma das mais devastadas do país. Cassol exigia a troca para liberar a construção da usina hidrelétrica de Jirau, que irá encobrir parte de uma reserva estadual.
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Dos atuais 2.700 km² da reserva federal, 1.400
serão repassados a Rondônia, sendo que metade servirá para
assentar as famílias que moram no local e outra parte se
transformará em floresta estadual. Os 1.300 que ficarão com o
MMA se transformarão em reserva de proteção integral.
Floresta Nacional do Bom Futuro já perdeu 28% de suas matas, e abriga cerca de 35 mil cabeças de gado criadas ilegalmente. (Foto: Sipam/Divulgação)
As reservas que serão repassadas ao governo federal serão a Rio Vermelho A e Rio Vermelho B, que somam 1.800 km². Parte delas será inundada pelo reservatório da nova hidrelétrica. Apesar do ministério anunciar o acordo como fechado, a troca das reservas precisa ainda ser aprovada pelo Congresso.
A troca é interessante ao governo de Rondônia, que pretende manter no local as milhares de famílias que moram dentro da reserva e ocupam uma área de cerca de 700 quilômetros quadrados – o equivalente a metade da área da cidade de São Paulo. Para o MMA, a permuta é importante para acelerar a retomada da construção da hidrelétrica, paralisada por falta de licença ambiental.
Megaoperação
Desde o início de maio, um batalhão de agentes do Ibama,
Instituto Chico Mendes (ICMBio), Polícia Militar Ambiental,
Exército e Incra ocupa
a Floresta do Bom Futuro. A ação foi anunciada como a
maior operação ambiental já realizada no Brasil, e tinha como
objetivo tirar da área o gado criado ilegalmente.
Segundo George Porto Ferreira, coordenador geral
de zoneamento e monitoramento do Ibama, a operação irá
continuar, pois foi baseada em duas decisões judiciais que
exigiam a retirada dos animais.
Devastação
Dados divulgados no final de maio pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) revelam que, em 2008, Bom Futuro sofreu um desmatamento de 93 quilômetros quadrados. Somada toda a floresta que já foi derrubada lá ao longo da história, descobre-se que 28% da área de mata da reserva foi embora sobre caminhões de madeira ou nos fornos de carvão.
Veja, no infográfico abaixo, os danos causados pela ocupação ilegal da reserva.
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