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05/06/09 - 18h04 - Atualizado em 05/06/09 - 18h05

'Paus-de-arara legalizados' são única alternativa para chegar a rincões do Acre

Vilas no interior não têm serviço de ônibus.
Jipes e caminhões são os únicos capazes de encarar estradas vicinais.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Sena Madureira (AC) - o jornalista viajou a convite da Embaixada da Alemanha

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Pelas estradas do Acre é comum ver pequenos caminhões com a caçamba adaptada para o transporte de passageiros. Além de uma alternativa mais barata ao ônibus, estes veículos são a única forma de chegar a vilas afastadas, às quais só se chega por estradas estreitas e sem pavimentação conhecidas na região amazônica como “ramais”.

 

Apesar da precariedade, este tipo de transporte é regulamentado no estado. Israel Damasceno, dono de um destes veículos, por exemplo, tem licença para operar no Ramal do Cedro, que sai da BR-364 entre Rio Branco e Sena Madureira (a 140 quilômetros da capital). Além de um trecho em asfalto, são mais 48 quilômetros pelo ramal, um trajeto que ônibus e carros comuns não encaram.

 

Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia

Passageiros dividem a caçamba com alimentos, botijões de gás e outors tipos de carga. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

 

Israel Damasceno e seu caminhão: 'Onde eu vou, o ônibus não chega'. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

Israel conta que abandonou um posto de funcionário público em Rio Branco para se dedicar ao transporte de passageiros.

 

A reportagem do Globo Amazônia o encontrou na fila de espera para a balsa que cruza o Rio Iaco, em Sena Madureira. Ele reclama que atualmente se discute a proibição de circular na BR-364. Com isso, poderia trafegar com seu caminhão apenas nos ramais. “Se proibirem de andar na estrada, para mim não compensa”, diz. Como resultado, a população das vilas nos ramais ficaria sem transporte coletivo.

 

Adesivos com número de registro e linha autorizada: o transporte nos 'paus-de-arara' é regulamentado. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

Ao ouvir o relato de Damasceno, um dos passageiros, Osvaldo Figueiredo, sai em defesa dos ‘paus-de-arara’. "Eu só ando com eles", conta. “A única vez que fui pegar ônibus, não me deixaram subir com meus meninos. Então pobre não pode pegar ônibus?”, queixa-se.

 

Figueiredo mora na Colônia Cassiriã, no ramal atendido pelo caminhão de Damasceno, e tem dez filhos. “No ônibus eles pedem a certidão de nascimento das crianças, e elas não têm”, completa. Se não tiver mais o serviço dos caminhões à disposição, ele terá de caminhar dias para chegar à rodovia, onde passam os ônibus.

 

Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia

Bicicletas também podem ser levadas nos caminhões. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

Em comparação a outros estados da Amazônia, o Acre depende mais do tranporte por terra, já que vários de seus rios são navegáveis apenas em época de cheia. Damasceno acredita que os ônibus não vão substituir os caminhões totalmente. “Podem até proibir de levar passageiros, mas só no caminhão dá para levar também o gás e a comida”, avalia, apontando para a carga que divide a caçamba com os passageiros.

 

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