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09/06/09 - 02h20 - Atualizado em 09/06/09 - 02h20

Após dezenas de mortes, governo peruano e indígenas trocam acusações

Com prisão decretada, líder de índios está foragido.
Governo alega ter feito 'esforço supremo' para dialogar.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Após o confronto entre a polícia e indígenas na região de Bagua, na porção amazônica do Peru, que deixou mais de trinta mortos, governo e manifestantes trocam acusações de intransigência.

 

Na sexta-feira (5), mais de 30 policiais e indígenas morreram em enfrentamento em Bagua. Índios de toda a região amazônica do Peru estão mobilizados contra decretos do presidente Alan Garcia que permitem a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minérios, em especial petróleo, em terras indígenas.

 

 

Foto: AFP

Soldados guardam o corpo do comandande da polícia Miguel Montenegro, morto nos confrontos em Bagua, no Peru. (Foto: AFP)

 

Os nativos se dizem prejudicados porque as leis permitem a "privatização" das florestas e dos recursos hídricos. O confronto teve início na madrugada de sexta-feira, quando forças policiais tentaram liberar uma estrada que havia sido fechada pelos indígenas. Além dos bloqueios de estradas, os manifestantes já fecharam válvulas de gasodutos e o bloquearam rios para navegação.


Em audiência na Comissão de Defesa do Congresso nesta segunda-feira (8), o primeiro-ministro peruano Yehude Simon disse que a presidência fez um “esforço supremo” para dialogar com os manifestantes. Ele mostrou documentos que comprovariam que o governo tentou negociar com o líder dos indígenas, Alberto Pizango. No entanto, segundo Simon, este foi intransigente e demonstrou não querer solucionar o problema. 

 

Pizango tem ordem de prisão decretada e está foragido. A organização que ele lidera, Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep), afirma que ele continua no Peru, mas autoridades apontam que ele poderia ter deixado o país.

No começo de maio, em entrevista exclusiva ao Globo Amazônia , Pizango antevia a possibilidade de confrontos violentos. “Consideramos o governo de Alan García responsável pelas consequências que tenham suas provocações”, disse, na época.

"Este governo manchou de sangue o nosso Peru", disse nesta segunda-feira uma outra representante da Aidesep, Daysi Zapata, em entrevista coletiva. "Jamais daremos um passo atrás. Não perdemos esta luta”, acrescentou.

A possibilidade de novos confrontos existe, segundo informações da agência AFP, já que a rodovia entre Yurimaguas e Tarapoto (a 900 quilômetros ao norte de Lima) continua ocupada por cerca de 3 mil índios. De acordo com a imprensa local, policiais e manifestantes negociaram nesta segunda-feira o desbloqueio parcial da estrada.

 

Campos de petróleo


Manifestantes também ocuparam neste domingo dois poços de petróleo da companhia argentina Pluspetrol na Amazônia peruana.

O número de mortos em Bagua não é certo, já que o governo fala de nove índios e 22 policiais mortos, mas o movimento indígena alega ter tido cerca de 30 baixas. Uma ONG chegou a denunciar a existência, negada pelo governo, de uma vala comum onde a polícia teria atirado corpos de manifestantes.

Na imprensa nacional e internacional comenta-se o impacto político do confronto com maior número de mortos no Peru desde o fim das ações do grupo Sendero Luminoso, que pode ter jogado o presidente Alan García em sua pior crise.

 

 

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