Gado criado irregularmente em terra indígena no Pará. (Foto: Reprodução/TV Globo)
O grupo Pão de Açúcar anunciou nesta quarta-feira (10) a suspensão das compras de carnes de onze frigoríficos localizados no estado do Pará.
A rede varejista agiu em resposta a recomendação do Ministério Público no Pará, que identificou a suposta compra de gado produzido em áreas desmatadas recentemente e de forma ilegal no estado.
Em nota, a empresa afirma que “repudia qualquer ato praticado em desacordo com a legislação em vigor e que venha a acarretar danos ao meio ambiente”.
“A companhia mantém vários mecanismos e ações como forma de
coibir o comércio de produtos ligados às cadeias produtivas da
pecuária que não cumpram legislações trabalhistas e ambientais,
a começar pelos nossos contratos de fornecimento. Neles, o
fornecedor assina uma declaração comprometendo-se a atender as
disposições especificas da legislação sobre proteção do meio
ambiente e de segurança e medicina do trabalho”, informa a
companhia.
Segundo o MPF, 21 fazendas embargadas têm rebanhos
de gado no Pará. Elas vendem para 13 frigoríficos e curtumes da
região. “A partir do momento que o frigorífico compra gado de um
lugar que é embargado, o frigorífico é responsável solidário por
aquele dano ambiental”, disse o procurador da Daniel Cesar
Avelino, um dos autores da ação, quando anunciou as medidas do
MPF.
Os procuradores cruzaram dados e chegaram a uma
relação de 72 empresas que compram desses frigoríficos - entre
elas grandes redes de supermercados.
A ONG ambientalista Greenpeace fez um levantamento paralelo da
cadeia da carne e do couro em estados amazônicos e concluiu que
a produção da região abastece também o mercado externo.
Questionado sobre as acusações do Greenpeace e do
MPF, o presidente
da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes (Abiec), que representa os maiores frigoríficos
exportadores do Brasil, Roberto Gianetti da Fonseca,
argumentou que seus associados não têm, de fato, como se
certificar de que todo gado comprado na região amazônica não
venha de áreas desmatadas ilegalmente, mas que estão empenhados
em buscar uma forma de tornar a origem da carne rastreável.

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