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10/06/09 - 20h53 - Atualizado em 10/06/09 - 20h53

Congresso do Peru suspende lei sobre Amazônia após protestos

Prazo de suspensão não foi definido.
Medida vem após confrontos com dezenas de mortos.

Da Reuters

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O Congresso do Peru suspendeu temporariamente nesta quarta-feira (10)as leis de investimento na Amazônia que desataram violentos protestos de indígenas, com dezenas de mortos. Os nativos, porém, continuarão se manifestando para conseguir a revogação total.


Os piores protestos enfrentados pelo governo de Alan García começaram no início de abril e chegaram a afetar o fornecimento de petróleo. Os índios amazônicos rejeitam as leis com o argumento de que elas os "despojam" de seus territórios, ricos em recursos naturais.

 

Leia também:  Indígenas se rebelam contra empresas petrolíferas na Amazônia peruana

A suspensão das normas foi aprovada por parlamentares de alguns grupos políticos. No entanto, os legisladores do opositor Partido Nacionalista, que também pede a eliminação das leis, se mostraram descontentes com a decisão.

O congresso, que não detalhou o período de suspensão das leis, tenta realizar "modificações substanciais" nas normas em consenso com os grupos indígenas e com representantes do governo.

"Estamos de acordo com a suspensão. Ceder em nossa posição não é ceder em nossos princípios. Não queremos mais enfrentamentos", disse a parlamentar e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko Fujimori.

Em Yurimaguas, cerca de 1.400 quilômetros a nordeste de Lima, os índios bloquearam novamente a principal estrada que abastece o povoado. Na terça-feira, o caminho foi aberto em uma trégua temporária após os enfrentamentos do fim de semana, que deixaram ao menos 33 mortos.

"Estamos nos preparando para a greve amazônica e esperamos apoiá-la contundentemente", disse Isidro Lancha, cujo rosto estava pintado de vermelho, junto a outras centenas de indígenas posicionados na estrada. O protesto foi convocado para a quinta-feira.

Milhares de nativos de três regiões amazônicas se manifestam há mais de 60 dias contra leis que abrem a Amazônia para o investimento de empresas estrangeiras.
"Nós não queremos a suspensão, queremos a revogação de todas as leis", afirmou Denis Pasanache, porta-voz do comitê de luta dos povos amazônicos de Yurimaguas.

 

 

Asilo


García, que se mantinha firme no empenho de atrair investidores estrangeiros para a Amazônia, afirmou mais cedo que o governo não cederá às "chantagens" dos indígenas.

"É importante escutar opiniões, mas o país não deve em nenhum caso ceder a chantagem nem a posições de força", disse García a jornalistas após a inspeção de obras de infraestrutura em um bairro de Lima.

O líder dos indígenas amazônicos Alberto Pizango saiu da frente de luta e recebeu na terça-feira asilo político da Nicarágua, após ser acusado pelo governo de sedição, conspiração e rebelião. Ele está refugiado na embaixada do país à espera de um salvo-conduto.

García voltou a insinuar que o governo esquerdista da Bolívia estaria por trás do protesto, que aconteceu após um encontro indígena continental realizado na cidade de Puno, no sul do Peru, onde segundo ele foram orquestradas as manifestações.

 

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