As redes de supermercados Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar anunciaram, em conjunto, que não comprarão mais carne que venha de fazendas que desmatam a Amazônia.
Em nota, as empresas disseram que irão suspender compras de
fazendas embargadas pelo Ibama, denunciadas pelo Ministério
Público Federal (MPF). As redes também afirmaram que irão
contratar uma auditoria independente para fiscalizar a origem da
carne que compram.
A ação é uma resposta a recomendação do MPF, que identificou a suposta compra de gado produzido em áreas desmatadas recentemente e de forma ilegal no estado.
Segundo o MPF, 21 fazendas embargadas têm rebanhos de gado no
Pará. Elas vendem para 13 frigoríficos e curtumes da região. “A
partir do momento que o frigorífico compra gado de um lugar que
é embargado, o frigorífico é responsável solidário por aquele
dano ambiental”, disse o procurador da Daniel Cesar Avelino, um
dos autores da ação, quando anunciou as medidas do MPF.
Os procuradores cruzaram dados e chegaram a uma
relação de 72 empresas que compram desses frigoríficos - entre
elas grandes redes de supermercados.
A ONG ambientalista Greenpeace fez um levantamento paralelo da
cadeia da carne e do couro em estados amazônicos e concluiu que
a produção da região abastece também o mercado externo.
Questionado sobre as acusações do Greenpeace e do
MPF, o presidente
da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de
Carnes (Abiec), que representa os maiores frigoríficos
exportadores do Brasil, Roberto Gianetti da Fonseca,
argumentou que seus associados não têm, de fato, como se
certificar de que todo gado comprado na região amazônica não
venha de áreas desmatadas ilegalmente, mas que estão empenhados
em buscar uma forma de tornar a origem da carne rastreável.

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