A Marfrig Alimentos, um dos maiores frigoríficos e exportadores
de carne bovina do mundo, comunicou ao governo de Mato Grosso
que se compromete a não adquirir, abater ou comercializar gado
originário de áreas do bioma amazônico que tenham sido
desmatadas a partir desta segunda-feira (22).
Ficou acordado entre a empresa e o estado que a
moratória terá validade até a implantação do programa MT Legal,
que prevê a regularização ambiental das 140 mil propriedades
rurais de Mato Grosso.
“A Marfrig excluirá de sua lista de fornecedores a
totalidade das fazendas pertencentes a proprietários que tiverem
uma única fazenda embargada e até que sua situação se encontre
regular”, afirma a companhia, em nota.
Ação do MP-PA
A compra de gado por grandes frigoríficos de áreas da Amazônia
desmatadas recentemente é alvo de ação do Ministério Público
Federal no Pará. O MP rastreou que carne com essa origem é
vendida nos supermercados e exportada. A organização
ambientalista Greenpeace fez levantamento que aponta que também
em Mato Grosso ocorre este tipo de transação.
Em reação a estas investigações, pelo menos 35
empresas já confirmaram ao MP que deixarão de comprar gado ou
derivados que tenham como origem os pastos recém-desmatados no
Pará. Elas foram alertadas pelos promotores paraenses e
concordaram em cortar fornecedores que não tenham como comprovar
a origem de seus produtos.
A lista das empresas que confirmaram o boicote foi
publicada pelo MPF nesta sexta-feira (19). Entre elas estão
Vicunha Têxtil, Vulcabrás, Ypê e Sadia. Na semana anterior, as
redes de supermercados Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar já
haviam anunciado corte na compra de produtos advindos de desmatamento.

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