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25/06/09 - 16h19 - Atualizado em 25/06/09 - 16h19

Setor frigorífico reage a acusações de desmatamento na Amazônia

Grandes grupos firmam compromissos para controlar fornecedores.
Investigações apontam que gado de desmatamento era comercializado.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A indústria de frigoríficos está reagindo às acusações de que carne produzida em áreas desmatadas recentemente na Amazônia é comercializada no mercado interno e externo por grandes empresas dos setor.

O grupo JBS-Friboi, maior produtor e exportador mundial de carne bovina, assinou na terça-feira (23), um pacto com a Wal-Mart, maior rede de varejo mundial, para que as empresas trabalhem juntas para garantir que “a carne bovina não seja advinda de propriedades que possuam alguma irregularidade particularmente em relação à lista do Ibama ou de pecuaristas que pratiquem de algum modo trabalho infantil ou análogo ao trabalho escravo” no bioma amazônico, conforme nota do frigorífico.

“O pacto também inclui um comprometimento para rastrear, identificar e controlar o rebanho dos fornecedores localizados no bioma de forma que o desmatamento ilegal e a produção de madeira não sejam associados com a criação de gado na região”, afirmou a JBS. 

 

Marfrig


Um dia antes, a Marfrig Alimentos, outro peso-pesado no mercado mundial de carne bovina, comunicou ao governo de Mato Grosso que se compromete a não adquirir, abater ou comercializar gado originário de áreas do bioma amazônico que tenham sido desmatadas a partir desta semana.

Ficou acordado entre a empresa e o estado que a moratória terá validade até a implantação do programa MT Legal, que prevê a regularização ambiental das 140 mil propriedades rurais de Mato Grosso.

“A Marfrig excluirá de sua lista de fornecedores a totalidade das fazendas pertencentes a proprietários que tiverem uma única fazenda embargada e até que sua situação se encontre regular”, afirmou a companhia, em nota.

 

 

Foto: Valter Campanato/ABr

Bois ocupam local recém-desmatado no Pará. (Foto: Valter Campanato/ABr )

 

Abiec

 

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou em audiência no Senado, também na terça-feira (23), segundo informações da Agência Brasil, que o setor que representa adotará um código de conduta para evitar o abate e o processamento de gado criado em áreas de desmatamento da Amazônia.

De acordo com Giannetti, o código de conduta é uma maneira de adequar o setor ao termo de ajuste de conduta proposto pelo Ministério Público Federal no Pará e pelo Ministério do Meio Ambiente, que proíbe a comercialização de carne de animais provenientes de áreas desmatadas.

Ainda segundo informações da Agência Brasil, o presidente da Abiec disse que atualmente é impossível controlar toda a cadeia produtiva da carne e identificar animais oriundos de áreas embargadas. Ele ressaltou que 30% do gado abatido no país é clandestino.

Segundo Giannetti, o setor não tem condições de assinar o termo de ajuste de conduta nete momento e, por isso, optou pelo código. O presidente da Abiec ainda criticou o governo e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que “teria falado muito e feito pouco pelo setor”.

 

Ação do MP


A compra de gado por grandes frigoríficos de áreas da Amazônia desmatadas recentemente é alvo de ação do Ministério Público Federal no Pará. O MP rastreou que carne com essa origem é vendida nos supermercados e exportada. A organização ambientalista Greenpeace fez levantamento que aponta que também em Mato Grosso ocorre este tipo de transação.

Em reação a estas investigações, pelo menos 35 empresas já confirmaram ao MP que deixarão de comprar gado ou derivados que tenham como origem os pastos recém-desmatados no Pará. Elas foram alertadas pelos promotores paraenses e concordaram em cortar fornecedores que não tenham como comprovar a origem de seus produtos.

A lista das empresas que confirmaram o boicote foi publicada pelo MPF nesta sexta-feira (19). Entre elas estão Vicunha Têxtil, Vulcabrás, Ypê e Sadia. Na semana anterior, as redes de supermercados Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar já haviam anunciado corte na compra de produtos advindos de desmatamento.

 

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