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01/07/09 - 15h20 - Atualizado em 01/07/09 - 16h57

Amazônia Legal é 'ficção geográfica', diz Stephanes

Ministro participa de audiência sobre 'bois do desmatamento'.
Pecuária está entre maiores causas da devastação, admite.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu nesta quarta-feira (1º) que a pecuária está entre os cinco maiores causadores de desmatamento na Amazônia Legal, informa a Agência Câmara. Segundo a agência, ele classificou o conceito de Amazônia Legal de "ficção geográfica".

 

O comentário foi feito em audiência na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Stephanes disse que levantamento concluído no mês passado por técnicos de seu ministério comprova o impacto da pecuária no desmatamento, mas ressaltou que há uma "dificuldade" importante para avaliar esse impacto, que é a abrangência do conceito de Amazônia.

"É possível que a pecuária tenha a maior extensão [de desmatamento], embora não tenha sido medida, mas há um problema nesta análise que é a mistura dos conceitos de Amazônia Legal e Amazônia", declarou, ainda segundo a Agência Câmara. "Isso faz com que chegue ao exterior uma visão de que o bioma está sendo afetado, enquanto o problema está concentrado em uma ficção geográfica que é a Amazônia Legal", argumentou. Stephanes não informou os outros quatro maiores responsáveis pelo desmatamento na Amazônia.

O ministro da Agricultura afirmou ainda que o governo está adotando medidas para que as propriedades rurais façam georreferenciamento (medição exata da área com uso de GPS) e a adoção da guia eletrônica para minimizar os impactos da pecuária no desmatamento da região.

 

A Amazônia Legal, conceito que consta da Constituição, é uma região formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Parte dela, no entanto, é formada por cenários naturais diferentes da floresta tropical amazônica, como o sul de Mato Grosso, que tem áreas de cerrado e do Pantanal.

 

Boicote

 

Desde o início de junho, pelo menos 35 empresas, incluindo grandes redes de supermercados, declararam que vão parar de adquirir derivados de carne
que venham de fazendas embargadas pelo Ibama no Pará.

 

Elas foram alertadas pelos Ministério Público Federal no Pará e concordaram em cortar fornecedores que não tenham como comprovar a origem de seus produtos.


Segundo o MPF, 21 fazendas embargadas pelo Ibama têm rebanhos de gado no Pará. Elas vendem para 13 frigoríficos e curtumes da região. Todos estão sendo processados. “A partir do momento que o frigorífico compra gado de um lugar que é embargado, o frigorífico é responsável solidário por aquele dano ambiental”, disse o procurador da Daniel Cesar Avelino, um dos autores da ação, quando anunciou as medidas do MPF.

A ONG ambientalista Greenpeace fez um levantamento paralelo da cadeia da carne e do couro em estados amazônicos e concluiu que a produção da região abastece também o mercado externo. 

 

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