Jaguatirica é uma das três espécies de felinos ameaçados de extinção que habitam Anavilhanas. (Foto: Daniel Rios/Arquivo pessoal de Bruno Marchena)
Que pedaço do planeta pode abrigar 37 espécies de mamíferos, oito delas ameaçados de extinção? Em um dos lugares mais belos da Amazônia, o biólogo Bruno Marchena registrou exatamente esses números. Os animais foram avistados no Parque Nacional de Anavilhanas, no Rio Negro, a cerca de 40 quilômetros de Manaus.
Veja
álbum de fotos dos animais no Parque de Anavilhanas
Habitam o parque onças-pintadas, gatos-maracajás,
jaguatiricas, cuxiús, tatus-canastra, ariranhas, peixes-bois e
tamanduás-bandeiras, todos na lista oficial de animais ameaçados
de desaparecer. Além desses bichos, também vivem por lá antas,
veados, porcos-do-mato e dezenas de outros mamíferos.
Segundo Marchena, toda essa diversidade vem dos
diferentes tipos de floresta que cobrem o parque. Além das matas
altas de terra firme, há campinas, capinaranas (matas ralas),
chavascais (campos alagados) e matas de igapó (matas alagadas).
“É um dos locais menos modificados na Amazônia”, ressalta o biólogo.
Grupo de queixadas (porcos-do-mato) passeia por praia do Parque de Anavilhanas, que fica nas margens do Rio Negro. (Foto: Alexandre Costa/Arquivo pessoal de Bruno Marchena)
Trilhas noturnas
Marchena estudou os mamíferos de Anavilhanas para ajudar a montar
o plano de manejo do parque, que define como a região será
utilizada para o turismo. A tarefa não foi fácil, já que a
maioria dos bichos não dá as caras de dia. É necessário
enfrentar quilômetros de trilhas no meio da mata, à noite, para
conseguir avistá-los.
“Fazíamos cerca de dez horas de caminhada por dia.
Algumas vezes precisou dormir no mato. Consegui visualizar
espécies que eu não veria durante o dia, como a jaguatirica,
gato maracajá e o tatu-canastra”, conta.
Destino turístico
Até novembro 2008, Anavilhanas era uma estação ecológica. Para
estimular o turismo, o local foi transformado em parque
nacional. A principal atração são as suas quatro centenas de
ilhas, que na época seca formam praias de areia branca que
contrastam com as águas escuras do Rio Negro.
A observação de animais também é um atrativo do
parque. Não são os bichos encontrados por Marchena, contudo, que
chamam a atenção dos turistas. “Não é fácil ver um mamífero. As
espécies mais comuns para se ver são as aves e os jacarés”,
conta o biólogo.
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