A megaoperação do Ibama realizada na Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, já rendeu pelo menos R$ 34 milhões em multas ambientais. A maior parte das autuações foi aplicada a agropecuaristas que destruíram grandes áreas de floresta dentro da reserva, que é uma das mais devastadas do país.
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Quatro bases do Exército foram montadas em pontos estratégicos para auxiliar dar segurança aos fiscais do Ibama. (Foto: ICMBio/Divulgação)
No início de junho, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o
governador de Rondônia, Ivo Cassol, assinaram
um acordo para trocar parte da Floresta Nacional do Bom
Futuro, que é federal, por áreas de preservação estaduais.
Cassol exigia a permuta para liberar a construção da usina
hidrelétrica de Jirau, que irá encobrir parte de uma reserva
estadual.
A barganha gerou a expectativa de que a destruição
ambiental causada dentro da reserva fosse anistiada, mas não foi
o que ocorreu. Uma operação
de mais de 300 homens capitaneada pelo Ibama já estava
em curso, e não parou.
“A operação continua normalmente. Na prática [o
acordo entre Minc e Cassol] é uma proposta de encaminhamento. O
que vale para a situação da Floresta Nacional é a lei. O
trabalho não pode parar por conta do acordo”, afirma o chefe da
Floresta de Bom Futuro, Paulo Volnei. Segundo ele, a diminuição
da reserva precisa ser aprovada no Congresso para ter efeito.
Dados do Sipam mostram que 28% das matas da reserva já foram destruídas. (Foto: ICMBio/Divulgação)
Carro queimado
Desde maio, quando o Ibama chegou à área, 370 criadores de gado
foram notificados para deixar o local. “Estamos cumprindo uma
decisão judicial que determina que o criador seja notificado e
seja dado um prazo de 180 dias. A partir desse prazo, o gado
pode ser apreendido”, informa Volnei. “Já saíram muitos animais,
mas depois desse acordo, houve uma parada na saída do gado.”
Os fiscais do Ibama também já apreenderam 14
motosserrras, cinco tratores, cinco caminhões carregadores de
toras e uma arma de fogo. Para garantir a segurança dos agentes,
a operação conta com reforço do Exército, Força Nacional de
Segurança e Polícia Militar, que montaram bases nos quatro
principais acessos à reserva.
A segurança se justifica. No final de junho, o
Ibama de Rondônia recebeu uma carta contendo ameaças aos
fiscais. “(...) tem muita gente com vontade de resolver isso na
bala”, dizia um trecho do bilhete. Dias depois, um carro do
instituto foi
incendiado dentro da reserva.
Invasão histórica
A reserva de Bom Futuro foi criada em 1988. Segundo Volnei, as primeiras invasões começaram sete anos depois. Imagens de satélite fornecidas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) mostram que em 1989 a mata estava intacta (veja infográfico abaixo). “Todo mundo entrou depois da criação, e todo mundo sabendo que a reserva existia”, informa o chefe da reserva.
Atualmente, calcula-se que pelo menos 3 mil
famílias e 30 mil cabeças de gado estejam dentro da área que
deveria estar protegida. Um levantamento do Sipam revela que, em
2008, a Floresta Nacional do Bom Futuro sofreu um desmatamento
de 93 quilômetros quadrados. Somada toda a floresta que já foi
derrubada lá ao longo da história, descobre-se que 28% da área
de mata da reserva foi embora sobre caminhões de madeira ou nos
fornos de carvão.
Volnei, que chefia a área desde 2005, diz que
nunca pôde fiscalizar o local, pois as ameaças são constantes.
“[Os invasores] já derrubaram pontes, colocaram coisas para
furar o pneu dos carros.”, confirma o chefe de fiscalização do
Ibama em Rondônia, Renê Oliveira.
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