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11/07/09 - 08h10 - Atualizado em 11/07/09 - 15h17

Cacau selvagem da Amazônia vira chocolate fino na Europa

Ribeirinhos coletam o fruto nas florestas do sul do Amazonas.
Na Alemanha, tablete com a matéria-prima brasileira custa mais de R$ 8.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Sena Madureira (AC) - o jornalista viajou a convite da Embaixada da Alemanha

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A colheita do cacau é trabalhosa, já que os cacaueiros nativos da região não ficam tão carregados quantos os pés plantados pelo homem. (Foto: Reprodução)

O cacau selvagem colhido em um dos lugares mais remotos da Amazônia virou matéria-prima para chocolates finos na Europa. Ribeirinhos de Boca do Acre, na confluência do Rio Acre com o Purus, no sul do Amazonas, colhem o cacau e o vendem a uma cooperativa que beneficia os frutos para enviá-los à Alemanha, onde são ingrediente de chocolates que custam cerca de 3 euros por unidade (mais de R$ 8).

Segundo Jaime Sass, diretor-administrativo da Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), este ano já foram colhidas 6 toneladas de frutos nativos.

 

Os cacaueiros estão espalhados pelos rios da região. Ribeirinhos fazem a colheita e levam os frutos até a beira do rio, onde são recolhidos com barcos. “Temos muitos gastos devido às grandes distâncias que precisamos percorrer para recolher o cacau”, explica Sass. Após o recolhimento, os frutos são descascados e colocados em caixas de fermentação por alguns dias. Em seguida, são secos em estufas.

 

O cacau de Boca do Acre é transportado em barcos. (Foto: Reprodução)

Apesar das dificuldades, o extrativismo de cacau é uma maneira para os ribeirinhos conseguirem dinheiro, já que a maioria deles se dedica apenas à pesca e à agricultura de subsistência.

 

Segundo o diretor da Cooperar, eles conseguem até R$ 50 com um dia de trabalho. Ao todo, cerca de 200 ribeirinhos de Boca do Acre trabalham com o cacau durante três meses (março a maio) ao ano.

A parceria com os alemães funciona desde 2006. A Cooperação Técnica Alemã, empresa pública que apoia o desenvolvimento em países estrangeiros fez a ponte entre os extrativistas do Amazonas e a fábrica de chocolates.

 

Uma fundação alemã pagou a instalação de estufas de secagem e a indústria se compromete a cobrir os gastos da cooperativa quando houver imprevistos que aumentem os custos, como a cheia prolongada deste ano, que dificultou a colheita.

 

 

 

Foto: Reprodução

A matéria-prima amazônica é usada em dois tipos de chocolate com diferentes teores de cacau. (Foto: Reprodução)

Por que trazer a matéria-prima de um lugar tão distante? A fábrica alemã, além de apostar na qualidade do cacau selvagem da Amazônia, usa sua origem “exótica” para marketing. A questão do apoio aos ribeirinhos e do comércio justo é outro ponto favorável para a imagem da empresa.

 

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