A colheita do cacau é trabalhosa, já que os cacaueiros nativos da região não ficam tão carregados quantos os pés plantados pelo homem. (Foto: Reprodução)
O cacau selvagem colhido em um dos lugares mais remotos da
Amazônia virou matéria-prima para chocolates finos na Europa.
Ribeirinhos de Boca do Acre, na confluência do Rio Acre com o
Purus, no sul do Amazonas, colhem o cacau e o vendem a uma
cooperativa que beneficia os frutos para enviá-los à Alemanha,
onde são ingrediente de chocolates que custam cerca de 3 euros
por unidade (mais de R$ 8).
Segundo Jaime Sass, diretor-administrativo da
Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar),
este ano já foram colhidas 6 toneladas de frutos nativos.
Os cacaueiros estão espalhados pelos rios da região. Ribeirinhos fazem a colheita e levam os frutos até a beira do rio, onde são recolhidos com barcos. “Temos muitos gastos devido às grandes distâncias que precisamos percorrer para recolher o cacau”, explica Sass. Após o recolhimento, os frutos são descascados e colocados em caixas de fermentação por alguns dias. Em seguida, são secos em estufas.
O cacau de Boca do Acre é transportado em barcos. (Foto: Reprodução)
Apesar das dificuldades, o extrativismo de cacau é uma maneira para os ribeirinhos conseguirem dinheiro, já que a maioria deles se dedica apenas à pesca e à agricultura de subsistência.
Segundo o diretor da Cooperar, eles conseguem até R$ 50 com um
dia de trabalho. Ao todo, cerca de 200 ribeirinhos de Boca do
Acre trabalham com o cacau durante três meses (março a maio) ao ano.
A parceria com os alemães funciona desde 2006. A
Cooperação Técnica Alemã, empresa pública que apoia o
desenvolvimento em países estrangeiros fez a ponte entre os
extrativistas do Amazonas e a fábrica de chocolates.
Uma fundação alemã pagou a instalação de estufas de secagem e a indústria se compromete a cobrir os gastos da cooperativa quando houver imprevistos que aumentem os custos, como a cheia prolongada deste ano, que dificultou a colheita.
A matéria-prima amazônica é usada em dois tipos de chocolate com diferentes teores de cacau. (Foto: Reprodução)
Por que trazer a matéria-prima de um lugar tão distante? A fábrica alemã, além de apostar na qualidade do cacau selvagem da Amazônia, usa sua origem “exótica” para marketing. A questão do apoio aos ribeirinhos e do comércio justo é outro ponto favorável para a imagem da empresa.
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