A retirada de produtos da floresta, como a seiva da seringueira e a castanha-do-pará, não são economicamente viáveis a longo prazo. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo da Embrapa Alfredo Homma, que há mais de 30 anos estuda a economia rural na Amazônia.
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Segundo o pesquisador, os produtos extrativistas
(retirados da natureza) tendem a ser “domesticados” em
plantações quando a procura por eles é muito forte. “Na natureza
há um determinado número de seringueiras, castanheiras. Para um
seringueiro cortar (retirar seiva de) 450 árvores, precisa
trabalhar em um espaço de 300 a 500 hectares. Essa mesma
quantidade de seringueiras você pode plantar em um campo de
futebol”, explica.
Para Homma, produtos retirados da floresta, como a castanha-do-pará, tendem a ser plantados e ter maior rentabilidade. Isso faz com que reservas criadas para a extração desses produtos tornem-se economicamente inviáveis, segundo o pesquisador. (Foto: Gleison Miranda/Secom-AC)
O extrativismo tem sido uma das principais apostas dos governos
para proteger a Amazônia. No Brasil, há 49 reservas
extrativistas e 65 florestas nacionais federais. Esses lugares
foram criados especialmente para a retirada controlada de
produtos da floresta, preservando a mata.
Para Homma, o fim do extrativismo é algo natural,
pois a produtividade desse tipo de atividade é muito baixa, e
tende a não dar conta da demanda. “Foi por isso que os ingleses
perceberam que a produção extrativa de borracha não dava para
sustentar o mundo. Tanto que eles levaram daqui 70 mil sementes
em 1876. Logo que essas seringueiras começaram a produzir, por
volta de 1910, eles venderam a borracha por um preço 30 vezes
menor.”
Outro problema, segundo o engenheiro agrônomo, é
que os produtos retirados da mata podem ser trocados por
substitutos artificiais. “O pau-rosa, por exemplo, foi
substituído pelo linalol sintético, originário do petróleo. Na
borracha, dois terços do consumo mundial é da borracha sintética.”
Mais plantações
A solução para a agropecuária na Amazônia, segundo Homma, é
aproveitar melhor o espaço que já foi desmatado plantando
espécies que hoje são retiradas da floresta. Isso protegeria a
mata e ao mesmo tempo evitaria o colapso econômico que poderia
vir com o fim do extrativismo.
“Muitas plantas da Amazônia já estão começando a
ser cultivadas. Noventa por cento da do cupuaçu, por exemplo, já
é plantado. Também é o caso do jaborandi. Hoje a Merck [empresa
do ramo farmacêutico] tem uma plantação de 500 hectares em Barra
do Corda, no Maranhão, e não compra mais jaborandi [da
floresta].”
O engenheiro também afirma que parte da área que
já foi derrubada deve ser reflorestada. Nos topos de morro e na
beira dos rios, deveria ser devolvida a vegetação original. No
restante, contudo, Homma defende a produção de árvores com valor
comercial. “As pessoas não vão reflorestar por reflorestar. Um
reflorestamento de eucalipto, mogno ou Teka custa R$ 2 mil por
hectare. Isso tem que ter retorno”, diz.
Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia
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que também permite a internautas protestar contra a
destruição da floresta.
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.
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