Formul�rio de Busca

10/07/09 - 10h33 - Atualizado em 10/07/09 - 11h14

Extrativismo não é solução para a Amazônia, diz pesquisador da Embrapa

Produtos da floresta tendem a ser plantados, afirma Alfredo Homma.
Para engenheiro, área já derrubada precisa ser mais bem aproveitada.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Tamanho da letra

A retirada de produtos da floresta, como a seiva da seringueira e a castanha-do-pará, não são economicamente viáveis a longo prazo. Essa é a opinião do engenheiro agrônomo da Embrapa Alfredo Homma, que há mais de 30 anos estuda a economia rural na Amazônia.

 

Esta notícia está aberta para comentários. Deixe o seu no final do texto.

Segundo o pesquisador, os produtos extrativistas (retirados da natureza) tendem a ser “domesticados” em plantações quando a procura por eles é muito forte. “Na natureza há um determinado número de seringueiras, castanheiras. Para um seringueiro cortar (retirar seiva de) 450 árvores, precisa trabalhar em um espaço de 300 a 500 hectares. Essa mesma quantidade de seringueiras você pode plantar em um campo de futebol”, explica.

 

Foto: Gleison Miranda/Secom-AC

Para Homma, produtos retirados da floresta, como a castanha-do-pará, tendem a ser plantados e ter maior rentabilidade. Isso faz com que reservas criadas para a extração desses produtos tornem-se economicamente inviáveis, segundo o pesquisador. (Foto: Gleison Miranda/Secom-AC)

O extrativismo tem sido uma das principais apostas dos governos para proteger a Amazônia. No Brasil, há 49 reservas extrativistas e 65 florestas nacionais federais. Esses lugares foram criados especialmente para a retirada controlada de produtos da floresta, preservando a mata.

Para Homma, o fim do extrativismo é algo natural, pois a produtividade desse tipo de atividade é muito baixa, e tende a não dar conta da demanda. “Foi por isso que os ingleses perceberam que a produção extrativa de borracha não dava para sustentar o mundo. Tanto que eles levaram daqui 70 mil sementes em 1876. Logo que essas seringueiras começaram a produzir, por volta de 1910, eles venderam a borracha por um preço 30 vezes menor.”

Outro problema, segundo o engenheiro agrônomo, é que os produtos retirados da mata podem ser trocados por substitutos artificiais. “O pau-rosa, por exemplo, foi substituído pelo linalol sintético, originário do petróleo. Na borracha, dois terços do consumo mundial é da borracha sintética.” 

Mais plantações

A solução para a agropecuária na Amazônia, segundo Homma, é aproveitar melhor o espaço que já foi desmatado plantando espécies que hoje são retiradas da floresta. Isso protegeria a mata e ao mesmo tempo evitaria o colapso econômico que poderia vir com o fim do extrativismo.

“Muitas plantas da Amazônia já estão começando a ser cultivadas. Noventa por cento da do cupuaçu, por exemplo, já é plantado. Também é o caso do jaborandi. Hoje a Merck [empresa do ramo farmacêutico] tem uma plantação de 500 hectares em Barra do Corda, no Maranhão, e não compra mais jaborandi [da floresta].”

O engenheiro também afirma que parte da área que já foi derrubada deve ser reflorestada. Nos topos de morro e na beira dos rios, deveria ser devolvida a vegetação original. No restante, contudo, Homma defende a produção de árvores com valor comercial. “As pessoas não vão reflorestar por reflorestar. Um reflorestamento de eucalipto, mogno ou Teka custa R$ 2 mil por hectare. Isso tem que ter retorno”, diz.

 

Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia Legal podem ser encontradas no mapa interativo Amazônia.vc, que também permite a internautas protestar contra a destruição da floresta. Saiba como utilizar o mapa . 

Siga o Globo Amazônia no Twitter  
Leia mais notícias de Amazônia

Enviar para amigo

Há problemas com o preenchimento do formulário.

A lista dos campos abaixo e assinalados em amarelo contém erro.

  •  

Há problemas com o preenchimento do formulário.

Preencha novamente o campo abaixo com o texto da imagem.

Sucesso!

Sua mensagem foi enviada com sucesso! Clique aqui para enviar uma nova mensagem ao G1.

Formulário de envio para amigo
  • separar os emails por vírgulas

  • limitado em 600 caracteres


últimas notícias de amazônia

  1. SEX, 07/01/2011
  2. 13:33 | Amazonia

    Índios suruí apostam no mercado de carbono para conservar sua terra em RO

    Pela internet, é possível ver o que acontece na reserva. Indígenas usam aparelho com GPS para controlar a floresta.

  3. TER, 04/01/2011
  4. 20:08 | Amazonia

    Filhote de peixe-boi sem a mãe é resgatado no Amazonas

    Animal foi encontrado em comunidade de Iranduba (AM). Mamífero aquático é o primeiro a chegar a instituto em Manaus em 2011.

  5. 12:48 | Amazonia

    Expedição faz levantamento inédito do Parque da Serra do Pardo, no Pará

    Marcado pelo desmatamento, local concentra riqueza de plantas e animais. Reserva está na região conhecida como Terra do Meio.

  6. SEG, 03/01/2011
  7. 16:50 | Amazonia

    Peru faz proposta para receber financiamento do Fundo Amazônia

    Asfaltamento de rodovia exige maior controle de desmatamento. Projeto custaria US$ 4,4 milhões ao longo de 2 anos ao fundo brasileiro.

» todas as notícias


editorias

G1 especiais

serviços


Formulário de Busca


2000-2012 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade