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15/07/09 - 15h36 - Atualizado em 15/07/09 - 16h05

Amazônia pode ter o dobro de espécies de pássaros do que se pensava

Cantos diferentes revelam que aves 'iguais' são de espécies distintas.
Ouça pássaros da Amazônia e aprenda sobre a melodia que eles cantam.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em Manaus

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Ouvindo passarinho nas matas da Amazônia o pesquisador Mario Cohn-Haft, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) fez uma descoberta que pode mudar muito o que se conhecia sobre as aves da região.

Ele percebeu que pássaros muito parecidos visualmente, considerados da mesma espécie, tinham cantos bem diferentes. Analisando o DNA dos animais, Cohn-Haft chegou à conclusão de que eram espécies distintas. “Em geral, quando há uma diferença de voz, há uma diferença molecular”, afirma.

 

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Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia

Mario Cohn-Haft falou sobre os 'sons da Amazônia' durante reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Manaus. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

A descoberta é uma reviravolta na catalogação das espécies amazônicas. Atualmente, há cerca de 1.300 pássaros conhecidos na região. Considerando as primeiras pesquisas já realizadas, que chegaram a desmembrar uma só espécie em oito novas, o pesquisador calcula que o número de passarinhos na Amazônia poderá chegar a 3.000.

“A previsão é de que mais que dobre o número de espécies sem que nenhuma nova espécie seja descoberta”, afirma, lembrando que os pássaros novos serão identificados a partir de animais já conhecidos.

 

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A nova biodiversidade encontrada por Cohn-Haft está escondida principalmente em pássaros pequenos, que vivem em matas fechadas de terra firme. Para não confiar apenas nos ouvidos na hora de estabelecer a diferença entre os cantos dos animais, o pesquisador usa programas de computador que analisam a melodia emitida pelos bichos.

 

O cientista prevê que sejam necessários muitos anos para conseguir pesquisar mais de 1.700 novos tipos de aves. “O trabalho é caro e lento. Nossa grande preocupação é se o homem vai destruir em um ritmo mais rápido [essas novas espécies] do que estamos descobrindo”, alerta. 

 

Foto: Eletronorte/Divulgação

Ilustrações mostram o uirapuru e o garrincha-trovão, espécies já bem conhecidas. (Foto: Eletronorte/Divulgação)

Ouça alguns sons da Amazônia

Uirapuru (Cyphorhinus arada): tem um dos cantos mais belos. 
Garrincha-trovão (Thryothorus leucotis): faz dueto com sua fêmea.
Pássaro-boi (Perissocephalus tricolor): lembra um berrante.

 

* Gravações de pássaros retiradas do CD Vozes da Amazônia Brasileira, do Inpa.

 

Curiosidades sobre o canto dos pássaros
Para que serve o canto das aves?
A única coisa que se tem certeza, segundo Cohn-Haft, é que o canto significa “sou de tal espécie, e estou aqui”. Isso é importante para demarcar território e os animais saberem onde estão os seus semelhantes.
Por que há pássaros que imitam o canto de outros?
A hipótese mais aceita pelos cientistas é que, em algumas espécies, isso sirva para atrair o sexo oposto. Quanto melhor o imitador, mais ele atrai a atenção das fêmeas.
Os pássaros podem aprender cantos diferentes?
Sim. Se treinados desde pequenos, eles podem aprender melodias diferentes das que já cantam na natureza.
Há diferença entre cantos graves e agudos?
Em geral, os cantos graves conseguem se espalhar melhor na vegetação densa. Por isso, os pássaros de mata fechada tendem a cantar mais grosso, enquanto os de lugares abertos entoam melodias mais agudas.
Por que há pássaros em que o macho faz dueto com a fêmea?
O dueto serve como uma confirmação de presença e de território, como se dissessem “meu bem, estou aqui perto, no nosso quintal”.
Quando há várias espécies diferentes cantando ao mesmo tempo, existe alguma organização entre elas?
Sim. Eles cantam de forma a evitar que um som atrapalhe o outro, para que todos possam ser ouvidos.
É verdade que o canto do uirapuru é tão belo que a mata fica em silêncio para ouvir?
O uirapuru canta no meio do dia, quando outras espécies costumam estar em silêncio. Por isso surgiu a lenda.

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