Recuperação da rodovia que liga Porto Velho a Manaus está prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). (Foto: Greenpeace/Divulgação)
Apesar da oposição de muitos cientistas, engenheiros, políticos e ambientalistas, quem mora no entorno da BR-319 quer ver a estrada repavimentada.
“Essa conversa de que o asfalto vai destruir a floresta é a maior
balela”, diz o taxista manauara Inácio Rodrigues Paiva, de 48
anos, que nos tempos de adolescente costumava cruzar a rodovia
de caminhão com o irmão para buscar bananas em Ji-Paraná, no
leste de Rondônia. “A estrada já está feita. O que tinha de ser
desmatado já foi. Só precisa repavimentar.”
Paiva, como muitos moradores da região de Manaus,
propaga a tese de que a rodovia foi destruída propositalmente na
década de 1980 pelas empresas de transporte fluvial que temiam
perder negócio com a chegada dos caminhões.
Nada foi provado, mas há quem jure ter visto as máquinas na estrada, arrancando o asfalto à força na calada da floresta. “Foi uma destruição criminosa”, acusa Pires, conhecido por todos na região como Neguinho do Táxi.
A BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), foi construída no início da década de 70, ao mesmo tempo que a Transamazônica. Funcionou bem durante uma década, até ser oficialmente desativada - ou propositalmente destruída, segundo os locais -, no fim dos anos 1980. Hoje restam 870 quilômetros de lama, buracos e pedaços de asfalto embrenhados na floresta. Palco perfeito para quem gosta de aventura, mas um pesadelo para quem uma dia já viu cargas e pessoas fluindo livremente por ali.
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Os únicos trechos com asfalto trafegável são as
pontas da rodovia: 200 quilômetros a partir de Manaus e 200
quilômetros a partir de Porto Velho, aproximadamente. A
reportagem percorreu de carro os primeiros 170 quilômetros da
BR-319, de Manaus ao Rio Tupana, onde está sendo construída uma
ponte, e conversou com pessoas ao longo do caminho para saber o
que pensavam dos planos do governo federal de reconstruir a
rodovia. Todos ecoaram a opinião de Paiva: querem a estrada de
volta. Todos reclamam do Ibama e do ministro Carlos Minc, do
Meio Ambiente, que faz oposição ao projeto de reconstrução do
Ministério dos Transportes.

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