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15/07/09 - 20h39 - Atualizado em 15/07/09 - 20h39

Cientistas querem descobrir remédios a partir de peixes amazônicos

Capacidade de adaptação desses animais intriga pesquisadores.
Medicamentos e produtos veterinários serão estudados em Manaus.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em Manaus

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Para quem não é biólogo, pode parecer uma insensatez gastar anos de
estudo para entender como funcionam os sistemas de respiração dos peixes amazônicos. Adalberto Val, diretor do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), gastou mais de 20 anos de sua vida debruçado sobre esse assunto, e garante que, além de beneficiar os próprios peixes, suas pesquisas têm retorno para o ser humano.

 

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Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia

O jaraqui é um peixe que vive no Rio Negro, que tem águas escuras e ácidas, mas se reproduz no encontro com o Rio Solimões, que possui águas barrentas e claras. Essa capacidade de adaptação dos peixes, segundo os cientistas, pode se transformar em soluções para a medicina. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Um grande passo para que isso aconteça está sendo dado por um centro de estudos criado há pouco tempo na Amazônia, o Adapta (Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia). Por meio da pesquisa de peixes e outros organismos aquáticos, cerca de cem cientistas se juntaram para descobrir substâncias medicinais.

A meta dos pesquisadores é, nos próximos três anos, já ter pelo menos dez substâncias de valor comercial. “Queremos produtos de importância veterinária e medicamentos, como antibióticos e hormônios de crescimento”, afirma Val.

Como exemplo do que os peixes podem oferecer, o cientista afirma que há uma espécie que consegue sintetizar vitamina C. Com pesquisas, pode-se descobrir como o ser humano pode se beneficiar disso na sua alimentação.

 

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Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia

Adalberto Val é o coordenador do novo centro de estudos, que faz parte do programa de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, implantados a partir de 2009 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). (Foto: Iberê Thenório)

 

De todas as cores e tamanhos


A possibilidade de descobrir essas substâncias nos peixes vem da extrema diversidade desses animais na Amazônia. “A região tem a maior quantidade de espécies de peixes de água doce no mundo”, afirma o diretor do Inpa. Além disso, a floresta agrega ambientes muito distintos, como rios caudalosos, florestas e campos inundados, e pequenos igarapés.

Toda essa mistura foi estudada durante muitos anos em diversas instituições. No Adapta, um banco de dados já está sendo estruturado para concentrar essas informações, tentando entender como os peixes conseguem suportar ambientes tão distintos, e como reagem a mudanças trazidas pelo homem, como a contaminação das águas e o desmatamento.

 

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