Para quem não é biólogo, pode parecer uma insensatez gastar anos
de
estudo para entender como funcionam os sistemas
de respiração dos peixes amazônicos. Adalberto Val, diretor do
Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), gastou mais
de 20 anos de sua vida debruçado sobre esse assunto, e garante
que, além de beneficiar os próprios peixes, suas pesquisas têm
retorno para o ser humano.
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O jaraqui é um peixe que vive no Rio Negro, que tem águas escuras e ácidas, mas se reproduz no encontro com o Rio Solimões, que possui águas barrentas e claras. Essa capacidade de adaptação dos peixes, segundo os cientistas, pode se transformar em soluções para a medicina. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)
Um grande passo para que isso aconteça está sendo dado por um
centro de estudos criado há pouco tempo na Amazônia, o Adapta
(Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia).
Por meio da pesquisa de peixes e outros organismos aquáticos,
cerca de cem cientistas se juntaram para descobrir substâncias
medicinais.
A meta dos pesquisadores é, nos próximos três
anos, já ter pelo menos dez substâncias de valor comercial.
“Queremos produtos de importância veterinária e medicamentos,
como antibióticos e hormônios de crescimento”, afirma Val.
Como exemplo do que os peixes podem oferecer, o
cientista afirma que há uma espécie que consegue sintetizar
vitamina C. Com pesquisas, pode-se descobrir como o ser humano
pode se beneficiar disso na sua alimentação.
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Adalberto Val é o coordenador do novo centro de estudos, que faz parte do programa de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, implantados a partir de 2009 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). (Foto: Iberê Thenório)
De todas as cores e tamanhos
A possibilidade de descobrir essas substâncias nos
peixes vem da extrema diversidade desses animais na Amazônia. “A
região tem a maior quantidade de espécies de peixes de água doce
no mundo”, afirma o diretor do Inpa. Além disso, a floresta
agrega ambientes muito distintos, como rios caudalosos,
florestas e campos inundados, e pequenos igarapés.
Toda essa mistura foi estudada durante muitos anos
em diversas instituições. No Adapta, um banco de dados já está
sendo estruturado para concentrar essas informações, tentando
entender como os peixes conseguem suportar ambientes tão
distintos, e como reagem a mudanças trazidas pelo homem, como a
contaminação das águas e o desmatamento.
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