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23/07/09 - 10h15 - Atualizado em 23/07/09 - 10h15

Instituto recebe supercâmera que vigiará Amazônia do espaço

Equipamento pesa 120 quilos e tem resolução de 20 metros.
Câmera viajará a bordo de satélites brasileiros produzidos com a China.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um dos olhos que vigiará a Amazônia a partir de 2011 acaba de ser entregue ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). Trata-se da câmera MUX, fabricada em São Carlos (SP), que será colocada dentro de satélites desenvolvidos em parceria com a China.

 

Aprenda a vigiar a floresta com o mapa do Globo Amazônia

O equipamento pesa cerca de 120 quilos e está preparado para enxergar objetos de até 20 metros de tamanho. “Os satélites [que levarão a câmera] voam a 778 quilômetros de altura. Eles dão a volta ao redor da terra em mais ou menos 100 minutos. Dentro desses satélites vão quatro câmeras. Duas brasileiras e duas chinesas”, explica Mario Quintino, coordenador-geral de Engenharia e Tecnologia Espacial do INPE.

 

 

Foto: Inpe/Divulgação

Câmera terá capacidade para enxergar objetos de até 20 metros e uma de suas funções será encontrar pontos de desmatamento na Amazônia. (Foto: Inpe/Divulgação)

Uma das funções da lente será fotografar a Amazônia para gerar relatórios de desmatamento. Uma vez por mês, o Inpe publica um alerta com os pontos críticos de devastação na região. Anualmente, o instituto também lança um balanço com a medição de todo o desmatamento ocorrido durante 12 meses. 

 

Veja o alerta de desmatamento de maio de 2009
Leia o balanço anual da devastação entre 2007 e 2008

 

Tecnologia nacional

Segundo Quintino, a MUX é a câmera espacial mais avançada já produzida no Brasil. Para o desenvolvimento e fabricação de seis equipamentos desses, a empresa Opto, que é nacional, recebeu R$ 85,1 milhões. “Para equipamentos que estamos fazendo pela primeira vez, é um preço extremamente competitivo em termos mundiais”, afirma.

Como vai a bordo de um satélite, a câmera não pode ser semelhante a um equipamento comum, usado por fotógrafos. “Ela é grande por que tem que ter confiabilidade, redundância. Se falhar alguma coisa, tem que haver algo que supra essa função automaticamente. Por ser um instrumento que voa em satélite, não é possível fazer manutenção”, diz o engenheiro do Inpe. 

Parceria com chineses

A nova câmera equipará os novos satélites do programa CBERS (sigla para “China-Brazil Earth Resources Satellite”, ou, em português, “Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres”). Por meio desse projeto, o Brasil já lançou três satélites: CBERS 1, 2 e 2B, o último atualmente em operação.

Os CBERS 3 e 4 devem ser colocados em órbita em 2011 e 2014. “Nos três primeiros satélites, a divisão do trabalho era 70% chinesa e 30% brasileira. O programa cresceu favoravelmente a nós. Hoje, a divisão de trabalho é de 50% [para cada lado]”, informa Quintino.

As imagens captadas pelos equipamentos sino-brasileiros são livres – uma atitude pioneira tomada pelo Inpe e que agora é seguida por outros países, como os Estados Unidos. O download das fotografias espaciais pode ser feito a partir do site do instituto.

 

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