Um dos olhos que vigiará a Amazônia a partir de 2011 acaba de ser entregue ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). Trata-se da câmera MUX, fabricada em São Carlos (SP), que será colocada dentro de satélites desenvolvidos em parceria com a China.
Aprenda a vigiar a floresta com o mapa do Globo Amazônia
O equipamento pesa cerca de 120 quilos e está
preparado para enxergar objetos de até 20 metros de tamanho. “Os
satélites [que levarão a câmera] voam a 778 quilômetros de
altura. Eles dão a volta ao redor da terra em mais ou menos 100
minutos. Dentro desses satélites vão quatro câmeras. Duas
brasileiras e duas chinesas”, explica Mario Quintino,
coordenador-geral de Engenharia e Tecnologia Espacial do INPE.
Câmera terá capacidade para enxergar objetos de até 20 metros e uma de suas funções será encontrar pontos de desmatamento na Amazônia. (Foto: Inpe/Divulgação)
Uma das funções da lente será fotografar a Amazônia para gerar relatórios de desmatamento. Uma vez por mês, o Inpe publica um alerta com os pontos críticos de devastação na região. Anualmente, o instituto também lança um balanço com a medição de todo o desmatamento ocorrido durante 12 meses.
Veja o alerta de desmatamento de maio de 2009
Leia o balanço anual da devastação entre 2007 e 2008
Tecnologia nacional
Segundo Quintino, a MUX é a câmera espacial mais avançada já
produzida no Brasil. Para o desenvolvimento e fabricação de seis
equipamentos desses, a empresa Opto, que é nacional, recebeu R$
85,1 milhões. “Para equipamentos que estamos fazendo pela
primeira vez, é um preço extremamente competitivo em termos
mundiais”, afirma.
Como vai a bordo de um satélite, a câmera não pode
ser semelhante a um equipamento comum, usado por fotógrafos.
“Ela é grande por que tem que ter confiabilidade, redundância.
Se falhar alguma coisa, tem que haver algo que supra essa função
automaticamente. Por ser um instrumento que voa em satélite, não
é possível fazer manutenção”, diz o engenheiro do Inpe.
Parceria com chineses
A nova câmera equipará os novos satélites do programa CBERS
(sigla para “China-Brazil Earth Resources Satellite”, ou, em
português, “Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres”).
Por meio desse projeto, o Brasil já lançou três satélites: CBERS
1, 2 e 2B, o último atualmente em operação.
Os CBERS 3 e 4 devem ser colocados em órbita em
2011 e 2014. “Nos três primeiros satélites, a divisão do
trabalho era 70% chinesa e 30% brasileira. O programa cresceu
favoravelmente a nós. Hoje, a divisão de trabalho é de 50% [para
cada lado]”, informa Quintino.
As imagens captadas pelos equipamentos
sino-brasileiros são livres – uma atitude pioneira tomada pelo
Inpe e que agora é seguida por outros países, como os Estados
Unidos. O download das fotografias espaciais pode ser feito a
partir do site do instituto.

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