Imagem de 2004 do Google Earth chamou atenção de internauta. (Foto: Reprodução/Google Earth)
Navegando pelo Google Earth, programa que mostra imagens de
satélite, um leitor do Globo Amazônia encontrou
uma área desmatada a menos de 20 quilômetros da cidade de
Cacoal, em Rondônia. “Ela se encontra já enleirada e só
esperando a época das águas para receber as sementes de capim”,
denunciou o internauta, que não se identificou.
A reportagem do portal verificou a imagem e, de
fato, nela é possível observar, às margens do Rio Ji-Paraná, uma
área com diversas fileiras de vegetação, o chamado enleiramento.
Este procedimento é uma das etapas do desmatamento
– vale ressaltar que nem todo desflorestamento é ilegal.
Após a derrubada da mata com auxílio de motosserras e do correntão (grossa corrente de metal puxada por dois tratores que vão derrubando tudo que está entre eles), a vegetação é colocada em montes compridos para ser queimada.
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No caso da imagem enviada pelo internauta, o
próprio Google Earth indica que ela é de setembro de 2004.
Portanto, o que é mostrado ali não corresponde mais ao que
existe atualmente no terreno.
saiba mais
O Globo Amazônia consultou a superintendência do
Ibama em Rondônia para verificar se a imagem comprova alguma
irregularidade e se o proprietário foi multado. O analista do
Núcleo de Monitoramento Ambiental do Ibama-RO, Gustavo
Fernandes, explica que, pelo fato de a imagem não ser nova, é
difícil de determinar se houve multa para aquela propriedade
anos atrás.
Ele esclarece ainda que o enleiramento é uma
técnica que, comparada à queima da vegetação sem a formação de
fileiras, protege mais o solo. “Ali foi feita a queimada para
formar pastagem. Como só queimam aquelas faixas, preserva um
pouco mais”, comenta, ao analisar a imagem.
Fernandes aponta, no entanto, que “em hipótese
alguma está certo” o desmatamento feito naquela área, já que a
floresta foi derrubada até muito perto do rio. As matas
ciliares, que ficam próximas aos cursos d’água, são área de
proteção permanente e não podem ser desmatadas. “A faixa mínima
a ser deixada é de 30 metros”, ressalta o analista.
O agente do Ibama explica ainda que infrações
ambientais como essa expiram após um prazo de cinco anos. “Mas,
ainda assim, ele ( o proprietário) teria a obrigação de
recuperar a área”, conclui.
Fernandes observa que o Ibama faz o monitoramento
da floresta por satélite e enxerga muitos desmatamentos, mais do
que é possível fiscalizar em solo. “Por isso o governo estipula
prioridades de ação. Tentamos atender o máximo possível”, diz.
Tem informações sobre crimes ambientais cometidos na Amazônia? Mande sua denúncia para globoamazonia@globo.com

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