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25/07/09 - 07h30 - Atualizado em 25/07/09 - 07h30

Acompanhe o caso dos 'bois do desmatamento'

Carne da Amazônia é acusada de causar devastação.
Saiba o que aconteceu desde o surgimento das denúncias.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Quase dois meses depois que o Ministério Público Federal no Pará e a organização ambientalista Greenpeace chamaram atenção para a criação de gado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, o caso dos “bois do desmatamento” teve uma série de desdobramentos, como o boicote dos varejistas à carne do Pará e os acordos das partes envolvidas nessa cadeia para regularizar sua produção.

“Por enquanto, foi satisfatória a resposta das empresas e da sociedade, que cobra das empresas e quer comprar produtos sustentáveis”, avalia o procurador Alan Mansur, um dos autores das ações do MPF-PA contra fazendas e frigoríficos do estado.

 

Ações contra pecuaristas

 

No começo de junho, o MPF-PA entrou na Justiça Federal com 20 ações contra pessoas e empresas acusadas de serem responsáveis pelo desmatamento de uma área de 1.500 quilômetros quadrados de floresta amazônica - o equivalente ao município de São Paulo.

As ações pediam R$ 2 bilhões em indenizações aos produtores rurais e a 13 frigoríficos, exportadores e curtumes que compravam gado dessas áreas. Simultaneamente, os procuradores recomendaram a 69 empresas clientes dos citados que suspendessem os negócios com eles para que fosse evitado o incentivo a uma cadeia produtiva que provoca desmatamento.

 

Foto: Valter Campanato/ABr

Bois ocupam local recém-desmatado no Pará. (Foto: Valter Campanato/ABr )

Boicote a frigoríficos


Com isso, pelo menos 35 empresas, entre elas maiores redes de supermercados - Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar -, anunciaram boicote aos produtos oriundos de desmatamento no Pará.

Duas das empresas agropecuárias processadas entraram na Justiça contra os embargos ambientais impostos pelo Ibama. A Justiça Federal em Marabá suspendeu os embargos, mas condicionou a suspensão a uma suspensão imediata do desmatamento, entre outras exigências.

 

Também no começo de junho, o Greenpeace lançou um relatório apontando que carne e couro produzidos em áreas desmatadas ilegalmente no Pará e em Mato Grosso – até em terras indígenas - são exportados e abastecem supermercados e indústrias por todo o mundo. Grandes empresas de roupas e calçados, e redes varejistas em países desenvolvidos são citadas no levantamento da organização.

Representantes de frigoríficos reagiram às acusações do MPF e do Greenpeace e argumentaram que é difícil determinar a origem do gado e que o governo não ajuda na implantação de um sistema de rastreamento.

 

Termos de ajuste

 

Com a pressão do mercado, os frigoríficos e empresas exportadoras de carne e couro citados nas ações passaram a negociar termos de ajuste de conduta (TAC) com o MPF para que os processos fossem suspensos. Até o momento, segundo o MPF, 9 das 13 empresas processadas se comprometeram a não comprar gado de pecuaristas que violem a legislação ambiental, entre eles Bertin e Minerva, dois dos maiores exportadores de carne do país.

Base da cadeia, as empresas agropecuárias ainda discutem com o MPF a assinatura de acordos para se adequarem.

Com a assinatura dos termos de ajuste, ficou a critério das redes varejistas manter o embargo ou não. Nesta semana, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), anunciou que os supermercados e maiores frigoríficos do país chegaram a um acordo para criar um programa de certificação amparado por um organismo internacional independente a fim de garantir a origem legal da carne. O funcionamento desta certificação ainda está por ser definido.

Em Mato Grosso, o frigorífico Marfrig se comprometeu a não comercializar carne de gado produzido em novos desmatamentos no bioma amazônico.

 

Governo do Pará

 

Além dos frigoríficos, o governo do Pará assinou um compromisso para auxiliar na recomposição de áreas de preservação permanente e reservas, implantar o Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE) em todo o estado, fazer a regularização fundiária de áreas estaduais, agilizar o licenciamento ambiental, implementar a Guia de Trânsito Animal Eletrônica e intensificar o cadastro ambiental rural.

 

Com a divulgação global do Greenpeace chamando atenção para a cadeia produtiva do gado na Amazônia, empresas internacionais também passaram a tomar medidas em relação a seus fornecedores. Na última semana, a Nike, maior empresa de produtos esportivos do mundo, anunciou que não vai mais comprar couro de animais com origem na região.

 

BNDES

 

Outra consequência das denúncias sobre os “bois do desmatamento” foi que Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia frigoríficos, aumentou as exigências para apoiar o setor. Para receberem financiamento do banco, as empresas passam ter de rastrear a origem do gado que compram e têm de se submeter a auditorias externas para comprovar o cumprimento das regras estabelecidas pela instituição.

 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou ideias para melhorar
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globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail,
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