Em poucos meses, uma área de floresta equivalente a 60 vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, foi destruída nas margens da rodovia BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Imazon (Instituto do Homem e meio Ambiente da Amazônia), apenas três municípios paraenses, próximos a essa estrada, concentraram 95,1 km² de florestas derrubadas.
Aprenda a vigiar o desmatamento usando o mapa do Globo Amazônia .
Os números fazem parte do estudo mensal sobre
desmatamento publicado pela ONG. Segundo o Imazon, em junho a
floresta amazônica perdeu 150 km². O número representa queda de
75% em relação a junho de 2008, quando o desmatamento somou 612
quilômetros quadrados. Quando comparado com os últimos 11 meses,
o número apresenta queda de 74%. De agosto de 2008 a junho de
2009, o desmatamento acumulado foi de 1.234 km², contra 4.755
km² no período anterior.
Pontos vermelhos mostram o desmatamento detectado no mês de junho. Em azul estão os focos de degradação florestal – quando a mata sofreu danos, mas não foi completamente derrubada. A região da BR-163 está no centro do mapa, no sul do Pará. (Foto: Imazon/Divulgação)
saiba mais
Na medição de junho, o estado que apresentou maior devastação foi o Pará (121 km²), seguido de Mato Grosso (11 km²), Rondônia (11 km²), Amazonas (5 km²), Tocantins (2 km²) e Acre (0,3 km²). No Amapá não foi detectado desmatamento, enquanto a porção maranhense pertencente à Amazônia Legal não foi analisada pela ONG. A cobertura de nuvens prejudicou a visibilidade dos satélites, pois cobriu 58% de toda a região.
Estrada da destruição
Os municípios de Novo Progresso, Altamira e Itaituba, no Sul do
Pará, ficaram no topo da lista de devastação. O desmatamento
nesses locais seguiu a rota de BR-163, e invadiu a Floresta
Nacional de Jamanxim, que perdeu 18,8 km² de matas na medição
realizada em junho.
Para o pesquisador Adalberto Veríssimo, um dos
responsáveis pelo levantamento, esse local é hoje o epicentro do
desmatamento da Amazônia. “Há uma corrida muito forte de
especulação de terras naquela região, e a maneira de legitimar
posses é desmatando”, afirma.
Segundo o cientista do Imazon, os desmatadores da
Floresta de Jamanxim têm esperanças de que o governo cancele
parte da reserva, assim como foi feito em Rondônia, onde parte
da Floresta Nacional do Bom Futuro foi trocada por uma reserva
estadual, beneficiando invasores.
Queda do desmatamento
Veríssimo endossa as declarações do Ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, de que o desmatamento entre agosto de 2008 e julho
de 2009 será o menor já identificado nos últimos 20 anos, pois
as últimas medições do Imazon indicam uma queda muito forte no
ritmo de destruição.
O pesquisador alerta, contudo, que no final deste
ano o desmatamento pode subir novamente. O crescimento da
economia, somado a um verão seco, podem estimular o corte das
árvores. Além disso, Veríssimo aponta a proximidade das eleições
como um dos fatores que aumentam a devastação “Infelizmente, a
floresta é barganhada”, afirma.
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou
ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em
contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com
. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se
possível fotos ou vídeos.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia

O Portal de Notcias da Globo