Formul�rio de Busca

04/08/09 - 20h10 - Atualizado em 04/08/09 - 20h10

Números do Inpe começam a confirmar previsão de Minc sobre desmatamento

Ministro do Meio Ambiente diz que devastação será a menor já registrada.
Imagens de satélite mostram redução constante da derrubada da floresta.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Tamanho da letra

Já faz alguns meses que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vem prometendo que o desmatamento entre 2008 e 2009 será o menor desde que o Brasil começou a medir a devastação da Amazônia. Nesta terça-feira (4), em Brasília, o ministro reforçou sua expectativa: "Se nada de extraordinário ocorrer, teremos a confirmação do menor desmatamento dos últimos 20 anos", disse ele, segundo nota divulgada pelo ministério.

 

Aprenda a vigiar o desmatamento usando o mapa do Globo Amazônia .

A diferença é que, desta vez, os números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já começam a confirmar a previsão de Minc. Segundo o último estudo do instituto, a floresta perdeu 578 km² em junho. O número é 33% inferior ao mesmo mês do ano anterior e a menor taxa desde 2004, quando o monitoramento mensal começou a ser realizado.

 

Foto: Valter Campanato/ABr

Minc recebe Todd Stern, enviado especial dos EUA para tratar das negociações internacionais sobre Mudança do Clima. Redução do desmatamento pode ajudar o Brasil a se posicionar em novo acordo mundial que será discutido em dezembro, na Dinamarca. (Foto: Valter Campanato/ABr)

 

Por causa da grande quantidade de nuvens que pairavam sobre a Amazônia nos últimos meses, havia expectativa de que o desmatamento medido em junho – quando o tempo melhorou – revelasse grandes áreas desmatadas que poderiam estar invisíveis sob a lente dos satélites.

Não foi o que ocorreu. Apesar do aumento do desmatamento em relação ao mês anterior – em maio, foram 128 km² derrubados –, este já é a oitava leitura mensal do Inpe em que o desmatamento cai em relação ao mesmo período do ano anterior, revelando uma redução consistente do desmatamento.

 

Medição paralela

 

As estatísticas de desmatamento divulgadas pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), apesar de serem baseadas em metodologia diferente da usada pelo Inpe, também indicam queda constante do ritmo de devastação. Segundo a organização, a floresta amazônica perdeu 150 km² em junho – redução de 75% em relação a junho de 2008, quando o desmatamento somou 612 quilômetros quadrados.

Na semana passada, o pesquisador Adalberto Veríssimo, um dos autores do estudo da ONG, concordou com as previsões de Minc sobre a queda do desmatamento. O cientista alertou, contudo, que no segundo semestre o desmatamento pode subir novamente.

 

O crescimento da economia, somado a um verão seco, podem estimular o corte das árvores. Além disso, Veríssimo aponta a proximidade das eleições como um dos fatores que aumentam a devastação “Infelizmente, a floresta é barganhada”, afirmou. 

 

Minc, apesar de otimista, está apreensivo em relação à próxima medição. “Julho é um mês terrível. E vai ser difícil reduzir o desmatamento em relação a julho de 2008, que foi de cerca de 300 quilômetros quadrados”, disse ele, segundo a Agência Brasil.

 

Período de um ano

 

Os dados anuais de desmatamento serão divulgados pelo Inpe no final do ano. O calendário utilizado pelo instituto vai de agosto a julho. Assim, a taxa equivalerá à devastação ocorrida entre 2008 e 2009.

 

O ministro calcula que as estatísticas apontem entre oito e nove mil quilômetros quadrados destruídos. Se isso se confirmar, será a menor taxa desde 1988, quando o Inpe começou a medir o desmatamento. Até hoje, o menor nível detectado foi em 1991 (11.030 km²). No ano passado, foi registrada a terceira menor estatística anual, de 12.911 km².

 

Comparação mensal


Considerando as medições feitas a cada 30 dias, a previsão de Minc parece estar certa. Nos últimos 11 meses, o Inpe apontou que 3.534 km² de florestas foram devastadas. No período anterior (agosto de 2007 a junho de 2008), haviam sido detectados 7.817 km² de florestas derrubadas.

A conta só não pode ser simplificada assim porque a leitura anual, chamada de Prodes, considera apenas os locais onde a floresta foi completamente derrubada – o conhecido “corte raso” –, enquanto a leitura mensal, chamada de DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), inclui os locais onde a mata foi parcialmente destruída – a tecnicamente denominada “degradação florestal”.

 

Outra diferença entre as duas estatísticas é que o Prodes utiliza imagens de resolução melhor que o Deter, conseguindo verificar desmatamentos menores.


Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível fotos ou vídeos.


Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia  

Enviar para amigo

Há problemas com o preenchimento do formulário.

A lista dos campos abaixo e assinalados em amarelo contém erro.

  •  

Há problemas com o preenchimento do formulário.

Preencha novamente o campo abaixo com o texto da imagem.

Sucesso!

Sua mensagem foi enviada com sucesso! Clique aqui para enviar uma nova mensagem ao G1.

Formulário de envio para amigo
  • separar os emails por vírgulas

  • limitado em 600 caracteres


últimas notícias de amazônia

  1. SEX, 07/01/2011
  2. 13:33 | Amazonia

    Índios suruí apostam no mercado de carbono para conservar sua terra em RO

    Pela internet, é possível ver o que acontece na reserva. Indígenas usam aparelho com GPS para controlar a floresta.

  3. TER, 04/01/2011
  4. 20:08 | Amazonia

    Filhote de peixe-boi sem a mãe é resgatado no Amazonas

    Animal foi encontrado em comunidade de Iranduba (AM). Mamífero aquático é o primeiro a chegar a instituto em Manaus em 2011.

  5. 12:48 | Amazonia

    Expedição faz levantamento inédito do Parque da Serra do Pardo, no Pará

    Marcado pelo desmatamento, local concentra riqueza de plantas e animais. Reserva está na região conhecida como Terra do Meio.

  6. SEG, 03/01/2011
  7. 16:50 | Amazonia

    Peru faz proposta para receber financiamento do Fundo Amazônia

    Asfaltamento de rodovia exige maior controle de desmatamento. Projeto custaria US$ 4,4 milhões ao longo de 2 anos ao fundo brasileiro.

» todas as notícias


editorias

G1 especiais

serviços


Formulário de Busca


2000-2012 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade