Já faz alguns meses que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vem prometendo que o desmatamento entre 2008 e 2009 será o menor desde que o Brasil começou a medir a devastação da Amazônia. Nesta terça-feira (4), em Brasília, o ministro reforçou sua expectativa: "Se nada de extraordinário ocorrer, teremos a confirmação do menor desmatamento dos últimos 20 anos", disse ele, segundo nota divulgada pelo ministério.
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.
A diferença é que, desta vez, os números do Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já começam a
confirmar a previsão de Minc. Segundo o último
estudo do instituto, a floresta perdeu 578 km² em junho.
O número é 33% inferior ao mesmo mês do ano anterior e a menor
taxa desde 2004, quando o monitoramento mensal começou a ser realizado.
Minc recebe Todd Stern, enviado especial dos EUA para tratar das negociações internacionais sobre Mudança do Clima. Redução do desmatamento pode ajudar o Brasil a se posicionar em novo acordo mundial que será discutido em dezembro, na Dinamarca. (Foto: Valter Campanato/ABr)
Por causa da grande quantidade de nuvens que pairavam sobre a
Amazônia nos últimos meses, havia expectativa de que o
desmatamento medido em junho – quando o tempo melhorou –
revelasse grandes áreas desmatadas que poderiam estar invisíveis
sob a lente dos satélites.
Não foi o que ocorreu. Apesar do aumento do
desmatamento em relação ao mês anterior – em maio, foram 128 km²
derrubados –, este já é a oitava leitura mensal do Inpe em que o
desmatamento cai em relação ao mesmo período do ano anterior,
revelando uma redução consistente do desmatamento.
Medição paralela
As estatísticas de desmatamento divulgadas pela ONG Imazon
(Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), apesar de
serem baseadas em metodologia diferente da usada pelo Inpe,
também indicam
queda constante do ritmo de devastação. Segundo a
organização, a floresta amazônica perdeu 150 km² em junho –
redução de 75% em relação a junho de 2008, quando o desmatamento
somou 612 quilômetros quadrados.
Na semana passada, o pesquisador Adalberto
Veríssimo, um dos autores do estudo da ONG, concordou com as
previsões de Minc sobre a queda do desmatamento. O cientista
alertou, contudo, que no segundo semestre o desmatamento pode
subir novamente.
O crescimento da economia, somado a um verão seco, podem estimular o corte das árvores. Além disso, Veríssimo aponta a proximidade das eleições como um dos fatores que aumentam a devastação “Infelizmente, a floresta é barganhada”, afirmou.
Minc, apesar de otimista, está apreensivo em relação à próxima medição. “Julho é um mês terrível. E vai ser difícil reduzir o desmatamento em relação a julho de 2008, que foi de cerca de 300 quilômetros quadrados”, disse ele, segundo a Agência Brasil.
Período de um ano
Os dados anuais de desmatamento serão divulgados pelo Inpe no final do ano. O calendário utilizado pelo instituto vai de agosto a julho. Assim, a taxa equivalerá à devastação ocorrida entre 2008 e 2009.
O ministro calcula que as estatísticas apontem entre oito e nove mil quilômetros quadrados destruídos. Se isso se confirmar, será a menor taxa desde 1988, quando o Inpe começou a medir o desmatamento. Até hoje, o menor nível detectado foi em 1991 (11.030 km²). No ano passado, foi registrada a terceira menor estatística anual, de 12.911 km².
Comparação mensal
Considerando as medições feitas a cada 30 dias, a
previsão de Minc parece estar certa. Nos últimos 11 meses, o
Inpe apontou que 3.534 km² de florestas foram devastadas. No
período anterior (agosto de 2007 a junho de 2008), haviam sido
detectados 7.817 km² de florestas derrubadas.
A conta só não pode ser simplificada assim porque
a leitura anual, chamada de Prodes, considera apenas os locais
onde a floresta foi completamente derrubada – o conhecido “corte
raso” –, enquanto a leitura mensal, chamada de DETER (Detecção
do Desmatamento em Tempo Real), inclui os locais onde a mata foi
parcialmente destruída – a tecnicamente denominada “degradação florestal”.
Outra diferença entre as duas estatísticas é que o Prodes utiliza imagens de resolução melhor que o Deter, conseguindo verificar desmatamentos menores.
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