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05/08/09 - 06h00 - Atualizado em 05/08/09 - 06h00

Incêndio devasta área equivalente a Brasília em terra indígena de MT

Há um mês, fogo consome região de cerrado de difícil acesso.
Brigadas de incêndio ainda não foram acionadas para apagar as chamas.

Iberê Thenório e Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um incêndio de dezenas de quilômetros quadrados consumiu boa parte da terra indígena Utiariti, em Mato Grosso, e quase ninguém viu. Desde o início de julho, o sistema de monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já identificou 303 focos de queimada na mata, mas equipes de combate ao fogo não foram acionadas para combatê-los.

 

Aprenda a vigiar queimadas usando o mapa do Globo Amazônia

O pico do incêndio ocorreu em 30 de julho, mas focos de fogo ainda são detectados pelos satélites. Segundo o coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe, Alberto Setzer, não é possível medir com precisão a área que foi queimada, mas nas fotos espaciais se vê uma mancha preta extensa na vegetação, indicando que muitos quilômetros quadrados pegaram fogo.

 

Foto: Montagem com imagens divulgadas pelo Inpe

À direita, foto de satélite tirada em 1º de agosto mostra região queimada na reserva de Utiariti. À esquerda, para comparação, fotos na mesma escala de tamanho mostram a cidade de Brasília, a Ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco, e a Ilha de São Sebastião (Ilhabela), em São Paulo. (Foto: Montagem com imagens divulgadas pelo Inpe)

 

O Globo Amazônia comparou a imagem da área queimada com fotos de satélite de Brasília, na mesma escala de tamanho. Por meio delas, é possível perceber que á área destruída em Mato Grosso já atingiu uma região de tamanho semelhante à capital federal.

 

Os pontos de queimada dentro da terra indígena podem ser observados por meio do mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra em tempo real os focos de incêndio. (Foto: Amazonia.vc/Google Maps)

Acesso difícil

Até o momento, ninguém trabalha para combater o incêndio. Segundo o responsável pelo posto da Funai dentro da terra indígena, Joelson Avelino Kinizokemaece, a fumaça pode ser vista a cerca de cem quilômetros de distância. “Achamos que o fogo tinha acabado na sexta-feira à noite, mas não acabou”, afirma.

Kinizokemaece pretende pedir apoio das brigadas de incêndio da região para aplacar as chamas. De acordo com ele, o local do incêndio é formado por uma vegetação de cerrado bem fechada, sem estradas ou aldeias por perto. “O acesso até esse fogo é difícil”, informa.

Segundo Elmo Monteiro, chefe do Prevfogo – órgão federal que coordena o combate a incêndios florestais –, os brigadistas ligados ao Ibama só podem agir quando acionados por meio da Funai, já que não podem entrar em terras indígenas sem autorização. “Por enquanto, não recebemos solicitação de apoio”, informou.

 

O major bombeiro Agnaldo Pereira, superintendente da Defesa Civil em Mato Grosso, informa que há pessoal e equipamento disponível para agir contra o fogo, mas faz a mesma ressalva de Monteiro. "Terra indígena é de responsabilidade do governo federal. Há uma série de restrições para entrar lá", diz.

 

Sem controle

Pedro Zunizakai, indígena que vive na aldeia Bakawal, dentro da terra indígena, explica que o fogo teria começado por causa de moradores de uma aldeia vizinha chama Quatro Cachoeiras. “Um vizinho nosso foi pescar e acho que ele tacou fogo. Quando saiu da pescaria, fez isso para limpar e ter uma saída do rio. Começou na beira e subiu para o cerrado. Ele pensou que ia queimar só uma parte, mas continuou até agora”, relata.

Segundo Pedro, a Funai treinou os índios da reserva para combater o fogo, mas não há um funcionário da fundação para coordenar o trabalho de contenção do incêndio e, por isso, nada está sendo feito. “Até agora (segunda-feira, 03) não compareceu ninguém”, diz.

A aldeia Bakawal, segundo Pedro, tem 72 moradores. Ele calcula que o fogo esteja a cerca de 30 quilômetros do local. “A fumaça não chegou na aldeia, mas escureceu o tempo”, conta. A queimada é muito grande, de acordo com o índio pareci: “Dá até medo”, diz.

 

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