Quem vê as imagens aéreas da Amazônia registradas pelo fotógrafo
Rodrigo Baleia não imagina o aperto que é conseguir essas cenas.
Para obter bons retratos da floresta não é necessário apenas ter
um bom olhar, mas também uma bela dose de coragem.
No final de julho, Baleia sobrevoou o sul do Pará
e norte de Mato Grosso. Convidado pelo Greenpeace, ele
fotografou pontos recém-desmatados, e conseguiu flagrar trechos
de floresta sendo derrubados e queimados para ceder lugar a
pastos e campos agrícolas.
Veja álbum de fotos com images aéreas do sul do PA e norte de MT
Rodrigo Baleia deixou São Paulo e foi morar em Manaus para se dedicar a registrar a Amazônia. (Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace)
saiba mais
O fotógrafo diz que sua tarefa não é simples. “Tenho que abrir a
janela do avião no momento exato, senão eu derrubo o avião”,
conta Baleia, que faz questão de apontar a máquina fotográfica
para o chão sem ser atrapalhado pelos vidros da aeronave.
Outro problema, de acordo com ele, é a tensão
entre os passageiros. Ficar horas em um avião
apertado, chacoalhando e muitas vezes enfrentando clima
desfavorável, não faz bem à convivência. “É uma situação
estressante. Quando o avião começa a tremer, é um pavor
generalizado”, explica.
Os trancos também não fazem bem à fotografia. “Eu
uso uma lente que tem estabilizador de imagem. Sem isso, a
imagem fica muito borrada.”
Combustível extra
Conseguir boas imagens aéreas envolve custos pesados. Muitas
vezes, o avião tem que baixar a altitude e dar várias voltas
sobre o alvo de Baleia, gastando mais combustível do que em uma
viagem comum. “Eu sei que tenho um limite de voltas para dar. No
máximo dou duas voltas sobre um ponto que eu achar
interessante.”
Para conseguir os melhores ângulos, o fotógrafo
conta com a ajuda do piloto, que quando vê alguma cena
interessante posiciona o avião do lado correto – já que nem
todas as janelas podem abrir –, e diminui a velocidade.
Não bastassem todas esses desafios, Baleia ainda
tem que contar com um pouco de "sorte meteorológica",
já que a cor do céu faz toda diferença nas imagens. “Há
determinados períodos em que as fotos ficam boas. Na época das
chuvas, as nuvens são bonitas e o céu é azul. Na seca, há muitas
partículas em suspensão, que deixam uma névoa branca no céu”,
explica.
Apesar de todas as dificuldades, a paixão por
imagens da Amazônia fez Baleia abandonar São Paulo e ir para
Manaus, de onde envia seus trabalhos para agências mundo afora.
“Quando eu olho quatro mil hectares de floresta destruída, sei o
quanto de vida tem ali embaixo. São milhares de anos de
evolução, e o homem chega ali e derruba. É isso que eu quero
poder mostrar.”
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou
ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em
contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com
. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se
possível fotos ou vídeos.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia

O Portal de Notcias da Globo