Na mitologia dos índios tukanos, que vivem no noroeste do Amazonas, um banquinho de madeira é considerado um objeto sagrado. Pela lenda desses indígenas, Deus estava sentado num banco quando resolveu criar o homem.
Só que o banco de “ãmakõ nhecã”, o avô do universo em tukano, era de quartzo e feito num piscar de olhos celestiais. Reproduzir um móvel desses, à imagem e semelhança do banco de Deus, dá muito trabalho, a começar pela procura da madeira, nem sempre disponível perto de casa.
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“O banco, para nós, para ser o símbolo dos
tukanos, ele dá o poder de autoridade, dá o poder de ser um
grande pensador, e ter uma grande responsabilidade”, explica
Maximiliano Menezes, diretor da Federação das Organizações
Indígenas do Rio Negro (Foirn).
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Pelo Rio Tiquié, Celestino Resende, artesão tukano, procura uma
parente da seringueira, a soveira, árvore de madeira macia. O
manejo é rigoroso e tem autorização da Funai e do Ibama. Uma só
árvore serve de matéria-prima para mais de vinte banquinhos.
O artesanato que faz dos tukanos os grandes
mestres do entalhe do Alto Rio Negro é feito a machadadas. Os
banquinhos são esculpidos nos blocos de madeira maciça. O mestre
Celestino vai fazendo o pamarirrori, o delicado desenho que
reproduz, no assento, a pelagem dos animais da floresta. Ele
leva um dia inteiro para fazer um banco.
Sua família faz esses pequenos assentos há incontáveis gerações.
“Desde aonde nasceu essa história do banco, veio passando até
chegar aqui a nossa vez”, conta. O pai de Celestino, Aprígio,
diz em tukano que o banco de Deus torna o homem sábio.
Com a produção desses banquinhos ainda não dá pra
ganhar dinheiro, embora eles já tenham até sido vendidos em
shoppings de decoração de São Paulo.
Mas os índios pensam em incrementar a produção.
“Temos que buscar nossa autonomia, essa autonomia tem partir da
gente. Nós mesmos é que temos que trabalhar, produzir, vender e
ter nossas coisas”, comenta Menezes.
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