O Madeira é um rio largo, cheio de peixes e com grande população ribeirinha, que vive em função de suas águas. É o principal afluente do Rio Amazonas. Nasce na Cordilheira dos Andes, na Bolívia, com o nome Mamoré e corre por quase 1.500 quilômetros no meio da selva até desaguar no Amazonas.
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É no Madeira, na altura de Porto Velho, capital de
Rondônia, que o Brasil está construindo duas hidrelétricas
gigantes: 'Jirau', e rio abaixo, bem perto,
'Santo Antônio'. Construir duas megausinas na Amazônia
não assusta? O que vai acontecer com a floresta quando os
reservatórios de água forem formados? Não muito longe do
Madeira, um exemplo negativo: a usina de Balbina, ao norte de
Manaus, considerada uma tragédia ecológica.
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O primeiro erro foi que a mata não foi cortada. As árvores
ficaram embaixo d´água. O lago, um cemitério de troncos, é agora
um grande produtor de gás carbônico e gás metano por causa da
decomposição orgânica. Balbina emite dez vezes mais gases de
efeito estufa do que uma termoelétrica a carvão de mesma
capacidade.
Isso pode se repetir no Madeira? "Nos nossos
reservatórios não vão ficar um galho de árvore nem para lenha.
Justamente para evitar a emissão desses gases que podem ocorrer
problemas na camada de ozônio", afirma o diretor da Usina
Jirau, José Lúcio Gomes.
Erro número dois em Balbina: ela foi construída em
uma planície. O lago é enorme e a geração de energia, mínima. Os
reservatórios das usinas do Madeira serão pequenos por causa do
uso de turbinas tipo bulbo, que geram energia usando mais a
velocidade da água do que a queda da água.
As duas usinas do Madeira terão uma potência 26
vezes maior do que a de Balbina, mas o reservatório será bem
menor. Terão apenas um quarto da área do de Balbina. Mesmo com
esses cuidados, as usinas vão destruir parte da floresta,
inundar cachoeiras, deslocar famílias.
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É o preço a pagar na Amazônia, avalia Luiz Pinguelli Rosa,
ex-presidente da Eletrobrás no primeiro governo Lula e um dos
maiores especialistas do Brasil em energia. "Eu sou a favor
de fazer as hidrelétricas mediante uma analise de cada caso, em
que todos os benefícios e problemas sejam levados em conta.
Então não é que se proíba, nem que se admita todas elas, mas sim
que se decida caso a caso."
O físico acha que as usinas do Madeira são boa
solução, ao contrário de Balbina. A decisão de construir Balbina
foi tomada durante o regime militar. À época, o alerta de
cientistas de que seria um desastre ambiental não foi levado em
conta. Agora todos lamentam o resultado. A lição é que qualquer
grande obra, principalmente na Amazônia tem que ser precedida de
amplo debate. Não dá para ter pressa e cometer um erro sem volta.
Empregos
Quando ficarem prontas, as duas barragens do
Madeira juntas terão uma capacidade de produzir energia que no
Brasil só é superada pelas usinas de Itaipu e Tucuruí. Sozinhas,
poderão suprir o consumo de 20 milhões de brasileiros. A
previsão é de que custem R$ 22 bilhões, o equivalente a tudo o
que o governo federal gastou em infraestrutura no ano passado.
No auge da construção, daqui a dois anos, os
empregos diretos vão chegar a 20 mil pessoas. As obras já atraem
trabalhadores de todos os estados. O mecânico José Augusto da
Silva veio do Maranhão. "Procurar um futuro melhor para as
nossas famílias. Para nós é oportunidade por um bom tempo. A
gente está pretendendo ficar por aqui alguns anos."
"Eu vim de Abaetetuba, lá do Pará. São quatro
dias e quatro noites de ônibus para chegar aqui viajando de
ônibus", conta o mecânico Dário da Silva Dias.
Vanderlei Flausino chegou de Mato Grosso.
"Vim para cá, graças a Deus minha família já está ao meu
lado aqui. Estou aí para deixar um rastro também nessa barragem,
que ela vai ser uma das maiores do mundo", diz o mecânico.

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