A construção das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, está trazendo mudanças rápidas na vida de pessoas e ao meio ambiente. Juntas, elas serão a terceira maior hidrelétrica do país, e já causam grandes impactos na região.
Visite o site do Jornal da Globo
O mais visível é na natureza: movimentação de
terra, alteração do fluxo do rio, formação de um lago
artificial. Há também importantes consequências econômicas e
sociais. Por isso são projetos que sempre provocam polêmicas.
Sedimentos
Uma delas é sobre os reservatórios de água. Não quanto ao
tamanho, porque serão relativamente pequenos, mas quanto ao
risco de assoreamento, o depósito de sedimentos no fundo dos
lagos. Os reservatórios poderão alagar mais áreas de floresta,
as usinas perderão potência e a vida útil delas irá diminuir.
O professor da Universidade Federal de Rondônia,
Luiz Fernando Novoa, diz que as pesquisas sobre o comportamento
do Rio Madeira foram insuficientes e dá um conselho para quem
vem para a região. "Procurar estudar mais a Amazônia, em
primeiro lugar, ter menos arrogância com ela. Deixa- lá de ver
como estoque de terras, de madeira, de biodiversidade ou de
energia."
"Contratamos os melhores especialistas em
Amazônia que nos deram a tranquilidade de que o empreendimento
está perfeitamente adequado e suportável pela sociedade
brasileira", afirma o Diretor da Usina Santo Antônio, José
Bonifácio Pinto Júnior.
Malária
Outra polêmica: há o temor de que os 20 mil empregos diretos que
serão criados poderão provocar surtos de malária, o mal que
assola a região. Muitos trabalhadores vêm de fora e são mais
vulneráveis à doença.
A construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré,
cerca de 100 anos atrás, o primeiro mega projeto idealizado em
Rondônia, atrasou por décadas e quase se inviabilizou porque
milhares de trabalhadores morreram de malária.
As usinas tem planos de controle da doença, mas o
pesquisador Luiz Hidelbrando Pereira da Silva, uma das maiores
autoridades internacionais em malária, está preocupado com o que
poderá acontecer fora dos canteiros de obras. "Nós vamos
ter, seguramente, surtos epidêmicos em várias localidades. O que
não quer dizer que isso seja incontrolável. Evidentemente as
autoridades de saúde, federais, estaduais e municipais estão
prevenidas sobre isso e tomando providências que eles podem
tomar no sentido de reforçar as unidades de controle da malária
na região".
Peixes
O Bagre, peixe migratório abundante no Madeira também virou
polêmica. As usinas terão uma espécie de escada para permitir
que os peixes vençam as barragens ao subir o rio para se
reproduzir.
A discussão sobre o Bagre foi ironizada por
muitos, como se um peixinho estivesse criando problemas para um
grande projeto. No mercado de peixe de Porto Velho dá para ver
que o Bagre do Rio Madeira não é um peixinho qualquer que pode
ser desprezado. A dourada, o jaú são peixes grandes,
fundamentais para a economia da região e fundamentais na
alimentação local.
Reportagem aberta para comentários. Deixe o seu ao final
do texto.
Também há dúvidas se os bagres vão subir conseguir
subir a escada. "Não estou sabendo realmente se vai ter
condições do peixe passar. Ou se ele vai chegar ou vai
voltar", diz o pescador Rosan Neves Barbosa. "Vão
acabar os peixes todos e ninguém vai poder mais pescar e não sei
como vai ficar”, afirma o pescador Marcos.
"Que funciona e que não funciona tem gente
[dizendo] sempre. Agora, nós fazemos e tem funcionado no Brasil
com a tecnologia mais evoluída em termos de hidrelétrica do
mundo", explica o Diretor da Usina de Jirau, José Lúcio Gomes.
Potencial amazônico
O Brasil tem o maior potencial hidrelétrico do mundo, mas 70%
dele estão na Amazônia. Quase todos os rios do sul, sudeste e
nordeste já foram explorados. Foi o temor de um futuro apagão
que levou o governo brasileiro a enfrentar os riscos de
construir duas mega usinas na Amazônia.
O engenheiro e Presidente da Empresa de Pesquisa
Energética, Maurício Tolmasquim, que participou da decisão de
construí-las, justifica os riscos. "Toda fonte tem seus
prós e contras. Nós temos na hidrelétrica uma fonte que reúne as
melhores condições do ponto de vista econômico, ambiental, e
social, e o grande potencial brasileiro, está na Amazônia".
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou
ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em
contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com
. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se
possível fotos ou vídeos.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia

O Portal de Notcias da Globo