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19/08/09 - 09h50 - Atualizado em 19/08/09 - 13h36

Construção de usinas no Rio Madeira trazem reviravolta à região

Pesquisadores questionam riscos ao homem e ao meio ambiente.
Possíveis assoreamento, malária e morte de peixes causam polêmica.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal da Globo

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A construção das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, está trazendo mudanças rápidas na vida de pessoas e ao meio ambiente. Juntas, elas serão a terceira maior hidrelétrica do país, e já causam grandes impactos na região.

 

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O mais visível é na natureza: movimentação de terra, alteração do fluxo do rio, formação de um lago artificial. Há também importantes consequências econômicas e sociais. Por isso são projetos que sempre provocam polêmicas. 

Sedimentos

Uma delas é sobre os reservatórios de água. Não quanto ao tamanho, porque serão relativamente pequenos, mas quanto ao risco de assoreamento, o depósito de sedimentos no fundo dos lagos. Os reservatórios poderão alagar mais áreas de floresta, as usinas perderão potência e a vida útil delas irá diminuir.

O professor da Universidade Federal de Rondônia, Luiz Fernando Novoa, diz que as pesquisas sobre o comportamento do Rio Madeira foram insuficientes e dá um conselho para quem vem para a região. "Procurar estudar mais a Amazônia, em primeiro lugar, ter menos arrogância com ela. Deixa- lá de ver como estoque de terras, de madeira, de biodiversidade ou de energia."

"Contratamos os melhores especialistas em Amazônia que nos deram a tranquilidade de que o empreendimento está perfeitamente adequado e suportável pela sociedade brasileira", afirma o Diretor da Usina Santo Antônio, José Bonifácio Pinto Júnior. 

 

Malária

Outra polêmica: há o temor de que os 20 mil empregos diretos que serão criados poderão provocar surtos de malária, o mal que assola a região. Muitos trabalhadores vêm de fora e são mais vulneráveis à doença.

A construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, cerca de 100 anos atrás, o primeiro mega projeto idealizado em Rondônia, atrasou por décadas e quase se inviabilizou porque milhares de trabalhadores morreram de malária.

As usinas tem planos de controle da doença, mas o pesquisador Luiz Hidelbrando Pereira da Silva, uma das maiores autoridades internacionais em malária, está preocupado com o que poderá acontecer fora dos canteiros de obras. "Nós vamos ter, seguramente, surtos epidêmicos em várias localidades. O que não quer dizer que isso seja incontrolável. Evidentemente as autoridades de saúde, federais, estaduais e municipais estão prevenidas sobre isso e tomando providências que eles podem tomar no sentido de reforçar as unidades de controle da malária na região". 

Peixes

O Bagre, peixe migratório abundante no Madeira também virou polêmica. As usinas terão uma espécie de escada para permitir que os peixes vençam as barragens ao subir o rio para se reproduzir.

A discussão sobre o Bagre foi ironizada por muitos, como se um peixinho estivesse criando problemas para um grande projeto. No mercado de peixe de Porto Velho dá para ver que o Bagre do Rio Madeira não é um peixinho qualquer que pode ser desprezado. A dourada, o jaú são peixes grandes, fundamentais para a economia da região e fundamentais na alimentação local.

 

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Também há dúvidas se os bagres vão subir conseguir subir a escada. "Não estou sabendo realmente se vai ter condições do peixe passar. Ou se ele vai chegar ou vai voltar", diz o pescador Rosan Neves Barbosa. "Vão acabar os peixes todos e ninguém vai poder mais pescar e não sei como vai ficar”, afirma o pescador Marcos.

"Que funciona e que não funciona tem gente [dizendo] sempre. Agora, nós fazemos e tem funcionado no Brasil com a tecnologia mais evoluída em termos de hidrelétrica do mundo", explica o Diretor da Usina de Jirau, José Lúcio Gomes.  

Potencial amazônico

O Brasil tem o maior potencial hidrelétrico do mundo, mas 70% dele estão na Amazônia. Quase todos os rios do sul, sudeste e nordeste já foram explorados. Foi o temor de um futuro apagão que levou o governo brasileiro a enfrentar os riscos de construir duas mega usinas na Amazônia.

O engenheiro e Presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, que participou da decisão de construí-las, justifica os riscos. "Toda fonte tem seus prós e contras. Nós temos na hidrelétrica uma fonte que reúne as melhores condições do ponto de vista econômico, ambiental, e social, e o grande potencial brasileiro, está na Amazônia".

 

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