Uma fiscalização ambiental fechou quatro serrarias e aprendeu
mais de 7 mil metros cúbicos de madeira retirada ilegalmente em
Mato Grosso. São quinze mil árvores derrubadas num único
município.
Mato Grosso só perde para o Pará em matéria de
desmatamento e já derrubou mais de 40% de suas florestas, uma
área que equivale a nove estados de Sergipe.
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"Meu amigo, dentro da lei, ninguém está ”,
diz um madeireiro local sem saber que estava sendo gravado. E os
fiscais do Ibama comprovaram o fato nas serrarias da cidade de
Aripuanã, onde eles encontraram mais de 7 mil metros cúbicos de
toras roubadas da floresta. Vendida em São Paulo, essa carga
renderia cerca de R$ 12 milhões.
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“Essa madeira pode ter vindo de um desmatamento
ilegal, de uma terra indígena, de um parque ou até roubada de
uma propriedade rural”, explica o chefe de fiscalização do Ibama
em Mato Grosso, Rodrigo Dutra. As toras apreendidas equivalem a
15 mil árvores derrubadas.
saiba mais
O monitoramento por satélite feito pelo Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe) revela como o desmatamento avançou no
estado. Até 1997, 125 mil quilômetros quadrados das florestas do
estado tinham sido derrubados. Onze anos depois, Mato Grosso já
tinha perdido 202 mil quilometros quadrados.
O prefeito do município, que é dono de
serraria, acha que o setor madeireiro ainda tem espaço para
crescer. “Aripuanã tem só 12 % de sua área desmatada. Nosso
nível de floresta é grande", afirma Carlos Torremocha.
Sem registro
Quatro serrarias foram fechadas. Uma não tinha nenhum registro
para funcionar. As outras três não apresentaram comprovantes de
origem da madeira. Numa delas, a quantidade de toras era 200%
maior que o volume autorizado para corte.
“Algumas empresas acabam trabalhando na
ilegalidade para tocar os seus negócios. Isso não é a parcela
toda do setor", argumenta Fabiana Rodrigues Aguilar,
presidente do sindicato das serrarias de Aripuanã. Segundo ela
‘no máximo 10%” atuam ilegalmente.
A polícia federal abriu inquérito para investigar
as empresas. Os proprietários que adquiriram as toras retiradas
de áreas sem autorização vão responder por sonegação de impostos
e crimes ambientais.
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