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28/08/09 - 11h15 - Atualizado em 28/08/09 - 11h45

Inpe: um quinto da floresta amazônica desmatada tem alguma regeneração

Floresta secundária tem menor biodiversidade.
Instituto inaugura novo centro regional em Belém.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fez um mapeamento da vegetação secundária (aquela que surge após o desmatamento) nos estados do Pará, Amapá e Mato Grosso, e concluiu que cerca de 20% das áreas devastadas apresentam regeneração da mata em algum grau.


O levantamento faz parte de um estudo que estará completo para toda a Amazônia Legal até o final do ano. Segundo o pesquisador Cláudio Almeida, chefe do recém-criado Centro Regional da Amazônia (CRA) do Inpe, o instituto vai fazer um acompanhamento anual das florestas secundárias, para conhecer sua evolução. “Essa informação pode ser utilizada no cálculo de biomassa”,  informa. A questão do carbono que integra a biomassa das florestas é importante na discussão sobre as emissões de gases causadores de efeito estufa.

 

No entanto, ao contrário do que se poderia pensar, a regeneração em um quinto da área não significa que a floresta amazônica esteja se recompondo de forma significativa ou definitiva. De porte menor e com biodiversidade reduzida, essas matas secundárias em muitos casos voltam a ser destruídas após alguns anos, pois se situam em áreas próximas às de agropecuária. “Alguns estudos aponta que para recompor a floresta original pode levar até 300 anos”, explica Almeida.

 

Ainda assim, aponta o pesquisador, elas têm alguma função na conservação da biodiversidade, pois servem de habitat para diversos tipos de plantas e animais. Este mapeamento da regeneração florestal em tão larga escala é inédito. Ele é feito com base nas mesmas imagens dos satélites Cbers e Landsat que são usadas para o levantamento anual de desmatamento, o sistema Prodes.
 

Novo centro


Os resultados sobre a floresta secundária são apresentados pelo Inpe por ocasião da inauguração do CRA, nesta sexta-feira (28), sediado em Belém, que futuramente deve concentrar todas as atividades do instituto relacionadas à floresta amazônica. “Estamos numa fase de transição, mas temos a expectativa de que, em no máximo 5 anos, possamos trazer para cá todo o monitoramento [da Amazônia, feito atualmente em São José dos Campos]”, explica Almeida. “Estamos formando equipe aqui.


No momento temos 12 pessoas, mas queremos chegar a 40 ou 50 pessoas”,
diz o chefe do CRA. O centro também deve receber pesquisadores estrangeiros, em especial da África, para conhecerem as tecnologias de monitoramento desenvolvidas pelo Inpe. Em acordo com a China, o Brasil ofereceu as imagens do satélite sino-brasileiro Cbers para os países do continente africano.

 

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