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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fez um mapeamento da vegetação secundária (aquela que surge após o desmatamento) nos estados do Pará, Amapá e Mato Grosso, e concluiu que cerca de 20% das áreas devastadas apresentam regeneração da mata em algum grau.
O levantamento faz parte de um estudo que estará
completo para toda a Amazônia Legal até o final do ano. Segundo
o pesquisador Cláudio Almeida, chefe do recém-criado Centro
Regional da Amazônia (CRA) do Inpe, o instituto vai fazer um
acompanhamento anual das florestas secundárias, para conhecer
sua evolução. “Essa informação pode ser utilizada no cálculo de
biomassa”, informa. A questão do carbono que integra a biomassa
das florestas é importante na discussão sobre as emissões de
gases causadores de efeito estufa.
No entanto, ao contrário do que se poderia pensar, a regeneração em um quinto da área não significa que a floresta amazônica esteja se recompondo de forma significativa ou definitiva. De porte menor e com biodiversidade reduzida, essas matas secundárias em muitos casos voltam a ser destruídas após alguns anos, pois se situam em áreas próximas às de agropecuária. “Alguns estudos aponta que para recompor a floresta original pode levar até 300 anos”, explica Almeida.
Ainda assim, aponta o pesquisador, elas têm alguma função na
conservação da biodiversidade, pois servem de habitat para
diversos tipos de plantas e animais. Este mapeamento da
regeneração florestal em tão larga escala é inédito. Ele é feito
com base nas mesmas imagens dos satélites Cbers e Landsat que
são usadas para o levantamento anual de desmatamento, o sistema
Prodes.
Novo centro
Os resultados sobre a floresta secundária são
apresentados pelo Inpe por ocasião da inauguração do CRA, nesta
sexta-feira (28), sediado em Belém, que futuramente deve
concentrar todas as atividades do instituto relacionadas à
floresta amazônica. “Estamos numa fase de transição, mas temos a
expectativa de que, em no máximo 5 anos, possamos trazer para cá
todo o monitoramento [da Amazônia, feito atualmente em São José
dos Campos]”, explica Almeida. “Estamos formando equipe aqui.
No momento temos 12 pessoas, mas queremos chegar a
40 ou 50 pessoas”,
diz o chefe do CRA. O centro
também deve receber pesquisadores estrangeiros, em especial da
África, para conhecerem as tecnologias de
monitoramento desenvolvidas pelo Inpe. Em acordo com a China, o
Brasil ofereceu as imagens do satélite sino-brasileiro Cbers
para os países do continente africano.

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