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30/08/09 - 08h00 - Atualizado em 30/08/09 - 08h00

Moradores da Ilha de Marajó coletam sementes para driblar escassez de peixes

Em época de cheia, peixes migram e deixam pescadores sem renda.
Projeto de extrativismo sustentável ganhou prêmio internacional.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Muitos pescadores de Salvaterra (PA), na Ilha de Marajó, estavam acostumados a passar aperto nos mese de cheia, quando os peixes migram a outros lugares e ficam raros na região. A pesca sempre foi a principal atividade econômica deles e não havia alternativas de renda.

Isso começou a mudar há oito anos, quando uma empresa de insumos para fabricação de cosméticos os ajudou a organizar uma cooperativa para coletar sementes de andiroba, pracaxi e ucuuba. “As águas da cheia entram nas florestas alagadas e trazem as sementes para as praias”, explica João Matos, gerente de biodiversidade da Beraca, companhia que criou o projeto de parceria com os comunitários.

 

Foto: Divulgação/Beraca

O trabalho de coleta na praia é alternativa para a escassez de peixes. (Foto: Divulgação/Beraca)

 

“Antes, na cheia, a gente pegava caranguejo, fazia carvão. Não tinha do que sobreviver. Hoje quando para o peixe, pegamos os frutos”, conta Maria das Dores Conceição Neves, presidente da Cooperativa dos Produtores Extrativistas Marinhos e Florestais da Ilha de Marajó (Coopemaflima).

Maria tem 50 anos e trabalha na coleta de sementes com o marido e um dos seis filhos. A cooperativa é formada por 26 pessoas, 20 delas mulheres, mas até 400 pessoas se beneficiam do projeto, já que nem todos que vendem as sementes são cooperados. Durante a safra, que dura cerca de três meses ao ano, cada família consegue ganhar entre 1 e 3 salários mínimos ao mês, segundo Matos. Juntos, os extrativistas de Salvaterra já conseguiram coletar 500 toneladas em uma safra.

 

Foto: Divulgação/Beraca

As sementes de andiroba fornecem óleo que é exportado para dezenas de países. (Foto: Divulgação/Beraca)

A renda pode não parecer alta, mas é importante para  moradores das 16 comunidades participantes, segundo Maria das Dores. “Aqui tem famílias com dez pessoas, oito pessoas”, conta. “Eles têm que comprar material escolar para as crianças”, exemplifica.

O próximo passo da Coopemaflima é a construção de uma fábrica de extração de óleo, para que as sementes possam ser beneficiadas localmente. Uma loja para vender os extratos também deve ser aberta.

 

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Além de apoiar as famílias afetadas pela escassez sazonal de pescado, o projeto ainda tem ajudado a conscientizar a população ambientalmente. A presidente da Cooopemaflima explica que antes era comum que os pés de andiroba fossem cortados na região. “Estamos fazendo uma campanha contra isso. Conversamos com as pessoas e dizemos que mesmo onde a árvore já está caindo, se derrubar, é para plantar mudas novas”.

O projeto é um dos ganhadores do Seed Awards 2009, prêmio conferido pela Seed Initiative, uma parceria entre a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

 

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