Muitos pescadores de Salvaterra (PA), na Ilha de Marajó, estavam
acostumados a passar aperto nos mese de cheia, quando os peixes
migram a outros lugares e ficam raros na região. A pesca sempre
foi a principal atividade econômica deles e não havia
alternativas de renda.
Isso começou a mudar há oito anos, quando uma
empresa de insumos para fabricação de cosméticos os ajudou a
organizar uma cooperativa para coletar sementes de andiroba,
pracaxi e ucuuba. “As águas da cheia entram nas florestas
alagadas e trazem as sementes para as praias”, explica João
Matos, gerente de biodiversidade da Beraca, companhia que criou
o projeto de parceria com os comunitários.
O trabalho de coleta na praia é alternativa para a escassez de peixes. (Foto: Divulgação/Beraca)
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“Antes, na cheia, a gente pegava caranguejo, fazia carvão. Não
tinha do que sobreviver. Hoje quando para o peixe, pegamos os
frutos”, conta Maria das Dores Conceição Neves, presidente da
Cooperativa dos Produtores Extrativistas Marinhos e Florestais
da Ilha de Marajó (Coopemaflima).
Maria tem 50 anos e trabalha na coleta de sementes
com o marido e um dos seis filhos. A cooperativa é formada por
26 pessoas, 20 delas mulheres, mas até 400 pessoas se beneficiam
do projeto, já que nem todos que vendem as sementes são
cooperados. Durante a safra, que dura cerca de três meses ao
ano, cada família consegue ganhar entre 1 e 3 salários mínimos
ao mês, segundo Matos. Juntos, os extrativistas de Salvaterra já
conseguiram coletar 500 toneladas em uma safra.
As sementes de andiroba fornecem óleo que é exportado para dezenas de países. (Foto: Divulgação/Beraca)
A renda pode não parecer alta, mas é importante para moradores
das 16 comunidades participantes, segundo Maria das Dores. “Aqui
tem famílias com dez pessoas, oito pessoas”, conta. “Eles têm
que comprar material escolar para as crianças”, exemplifica.
O próximo passo da Coopemaflima é a construção de
uma fábrica de extração de óleo, para que as sementes possam ser
beneficiadas localmente. Uma loja para vender os extratos também
deve ser aberta.
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Além de apoiar as famílias afetadas pela escassez
sazonal de pescado, o projeto ainda tem ajudado a conscientizar
a população ambientalmente. A presidente da Cooopemaflima
explica que antes era comum que os pés de andiroba fossem
cortados na região. “Estamos fazendo uma campanha contra isso.
Conversamos com as pessoas e dizemos que mesmo onde a árvore já
está caindo, se derrubar, é para plantar mudas novas”.
O projeto é um dos ganhadores do Seed Awards 2009,
prêmio conferido pela Seed Initiative, uma parceria entre a
União Internacional para a Conservação da Natureza e dos
Recursos Naturais (IUCN) o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) e o Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (PNUMA).

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