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02/09/09 - 11h25 - Atualizado em 02/09/09 - 12h59

Para estudar queimadas, pesquisadores incendeiam floresta em MT

Experiência acontece anualmente em fazenda em Canarana.
Conhecendo características do fogo, é mais fácil prever áreas de risco.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A floresta é incendiada com uma mistura de óleo diesel e querosene. (Foto: Divulgação/Ipam)

A mistura de óleo diesel com querosene faz a floresta arder em chamas. Durante quatro dias, um grupo de pessoas trabalhou duro em Canarana, em Mato Grosso, para fazer um pedaço da Amazônia queimar. Mas não se tratam de devastadores: pelo contrário, são cientistas que querem entender melhor como o fogo se comporta na floresta.

Para isso, eles mantêm três campos com 50 hectares de mata. Um deles é queimado a cada três anos, o segundo é incendiado anualmente, e o terceiro é conservado para servir de comparação. As áreas se localizam dentro da Fazenda Tanguro, do grupo André Maggi, que pertence à família do governador matogrossense.

“Um time coloca fogo e o outro vai fazendo medições”, explica Paulo Brando, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que conduz os trabalhos no local em parceria com o Woods Hole Research Center, dos EUA. 

 

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O objetivo das queimadas propositais é medir suas emissões de gases causadores de efeito estufa e como o fogo se propaga, permitindo que se possa determinar com antecedência quais são os lugares mais propensos a se incendiarem. Isso é importante especialmente no caso do fogo rasteiro, já que não pode ser visto no monitoramento por satélite, explica Brando.

Além do tamanho e velocidade das chamas, são medidas também temperatura e umidade do ambiente e das plantas, antes e depois do fogo.

 

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As duas diferentes periodicidades de queima (um e três anos) têm a função de evidenciar como a floresta se deteriora a cada incêndio e como se recupera nos intervalos. As queimadas não destróem a mata de uma só vez. A cada época de seca, a reincidência de fogo faz com que a vegetação se desfigure gradualmente.

 

Após uma primeira queima, espécies de fora, como o capim, começam a crescer entre as árvores, tornando as áreas mais propensas a um novo fogo no ano seguinte.

 

Neste ano, o experimento aconteceu entre sexta (28) e segunda-feira (31).

 

Foto: Ipam/Divulgação

O fogo rasteiro não é detectado pelos satélites. (Foto: Ipam/Divulgação)

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