O Brasil não fugirá da responsabilidade de debater as metas para
a redução de suas emissões de gases do efeito estufa na Cúpula
do Clima de Copenhague em dezembro, anunciou o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em entrevista à AFP.
"Nós temos obrigação moral de diminuir o
desmatamento na Amazônia", afirmou o presidente.
"O Brasil está disposto a discutir metas e
compromissos; não fugiremos da responsabilidade de discutir
metas", acrescentou, referindo-se ao tema que será
discutido na conferência convocada pela ONU na Dinamarca para
fechar um compromisso global para a luta contra as mudanças climáticas.
Lula participa de cerimônia na tarde desta quinta-feira (3). (Foto: Agência Brasil)
O Brasil é um dos atores-chave nesse debate, já
que é considerado o quarto maior emissor de gases do efeito
estufa do mundo, principalmente por causa do desmatamento da
Amazônia, a maior floresta tropical do planeta.
Até o momento, o Brasil não quis assumir metas de
redução de emissões em um novo acordo internacional sobre o
clima, sob a alegação de que o acordo vigente, o Protocolo de
Kyoto, comprometia apenas os países industrializados. Agora
Brasília condiciona as metas a um compromisso dos países ricos.
"Queremos fazer uma discussão em que cada
país assuma a responsabilidade pelos danos que causam ao planeta
e, se não houver esse compromisso conjunto das metas de
preservação de nossas florestas (dos países em desenvolvimento)
e de diminuição (da emissão de gases) dos países ricos, será uma
discussão falsa, na qual somente os pobres pagarão",
afirmou Lula.
Fundo
Lula disse ainda que aprova a criação de um fundo para ajudar os
países pobres a combater o desmatamento, mas não em detrimento
de uma meta ambiciosa de redução de emissões das nações
industrializadas.
Segundo Lula, "ninguém pode dizer que a China
tem a mesma responsabilidade que os Estados Unidos".
"Ninguém pode querer que o Brasil tenha a mesma
responsabilidade que a Inglaterra ou a França",
acrescentou, explicando que estes dois últimos emitem gases
poluentes há muito mais tempo.
"Nossa ideia é que a gente possa construir um
acordo entre a posição brasileira, a da Europa, a americana, e
ver se a gente consegue dar um passo adiante daquilo que foi
Kyoto, porque Kyoto os americanos ainda não assinaram".
Lula indicou que a posição brasileira sobre o
volume de emissões que pode ser reduzido num eventual
compromisso será definida no início de novembro.
O Brasil assumiu pela primeira vez uma meta no
final do ano passado, voluntária e internamente, de reduzir o
ritmo do desmatamento amazônico em 70% até 2018 em relação aos
últimos dez anos.
A floresta amazônica perdeu quase 13.000 km2 em 2008 pelo avanço
da criação de gado, dos cultivos e das madeireiras ilegais. O
Brasil pretende apresentar este ano uma cifra de 9.000 km2 de
floresta perdida, que seria a menor superfície dos últimos 20
anos. Essa superfície, no entanto, é equivalente ao território
de Porto Rico e apenas um pouco menor que a Jamaica.
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