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06/09/09 - 18h08 - Atualizado em 06/09/09 - 18h09

Suruís relembram 40 anos do primeiro contato com não índios

'Não temos nada a comemorar', diz líder Almir Suruí.
Povo foi dizimado por doenças após saída do isolamento.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Líder Almir Suruí. (Foto: Divulgação)

Os índios suruís estão reunidos neste fim de semana para refletir sobre os 40 anos de contato com o homem branco. Seu líder Almir Suruí é taxativo: “Não temos nada a comemorar”.


Este povo foi oficialmente contatado em 1969 pelos sertanistas da Funai Francisco e Apoena Meirelles. Os primeiros anos após o fim do isolamento, conta Almir, foram os mais desastrosos: “Pelos mais velhos, sabemos que antes do contato tínhamos mais de 5 mil pessoas. Três anos depois éramos entre 250 a 300 pessoas”.

 

Doenças como gripe, sarampo e tuberculose foram as principais responsáveis pelas mortes. “Hoje somos entre 1250 e 1300 pessoas em 24 aldeias”, relata.

 

Foto: Editoria de Arte/G1

A Terra Indígena Sete de Setembro se divide entre Rondônia e Mato Grosso. (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

Os suruís, que se autodenominam paiter, vivem na Terra indígena Sete de Setembro, uma área de cerca de 2.500 km² que se estende entre os municípios de Espigão D'Oeste (RO), Cacoal (RO) e Rondolândia (MT). Atualmente, a exploração madeireira é o principal problema da reserva. “Estamos pedindo socorro ao poder público para que tomem providências”, diz Almir.

 

Recentemente, ele enviou carta ao Ministério da Justiça denunciando a destruição das matas da Terra Sete de Setembro por invasores. Essas pessoas estão correndo risco também. Estamos muito cansados e quando você fica cansado é muito perigoso. Um conflito pode acontecer”, diz. A situação é ainda mais problemática, de acordo com ele, porque também há índios envolvidos na exploração ilegal.


Apesar das dificuldades, os suruís estão se organizando para dar um rumo a seu povo a longo prazo. “Criamos um plano de 50 anos com programas de educação, saúde, ecologia, cultura. Estamos tentando mostrar como é possível buscar soluções com conhecimento científico e tradicional”, conta Almir. Ele ganhou notoriedade internacional recentemente por fazer uma parceria com a gigante americana Google para colocar internet mapas detalhados da devastação em sua terra. “Temos um projeto de reflorestamento com mais de 90 mil mudas já plantadas”, conta.

 

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