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21/09/09 - 20h42 - Atualizado em 21/09/09 - 21h22

Município remoto do Amazonas tem salto na mortalidade infantil

Índice de região com maioria indígena é 5 vezes maior que o nacional.
Falta de motores para barcos da Funasa dificultam atendimento.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional

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Quem viaja a São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, encontra um Brasil com cara de índio. Do prefeito ao soldado, do padre ao peão, todos são indígenas, muitos deles já aculturados, com roupas e computador, mas em absoluto abandono.

 

Nem programas sociais mais abrangentes, como o Bolsa Família e o Luz para Todos, chegam ali. “Já levamos na brincadeira. Chamamos de Luz para Alguns”, brinca o diretor de escola Protázio Castro.

 

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São Gabriel da Cachoeira é um município gigante, maior do que Portugal. No mapa, parece um cão de perfil. Por isso, esse pedaço do país é conhecido como “Cabeça do Cachorro”.

O acesso complicado mantém os 23 povos indígenas da região de maior diversidade étnica do Brasil longe de quase tudo. Sem barco é ainda pior. É na base do favor que os enfermeiros do distrito sanitário indígena trabalham. Dezessete lanchas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão empilhadas na cidade por falta de motor. 

A taxa de mortalidade infantil já era alta, mas deu um salto em 2009: 98 mortes por mil nascidos vivos é cinco vezes a média brasileira, de 20 por mil. Metade dos polos de saúde da região foi desativada.

 

 

Hupdas


O povo hupda é o mais isolado da região. Ao contrário dos outros índios, eles não gostam muito de viver nas margens do rios, geralmente preferem o interior da mata, onde a subsistência é sempre mais difícil. Entre eles que foram detectados os casos mais graves de desidratação. Sem remédios, um agente de saúde trata as crianças com ervas e benzeduras.

“Também aqui a gente tem uma desnutrição crônica de base e uma alteração de proteínas, e você acaba tendo uma distensão abdominal também. Então é uma combinação de dois maus fatores”, Explica a médica Maria Carolina Batista dos Santos, especialista em medicina tropical, que já trabalhou na região mais miserável da África e encontrou aqui as mesmíssimas condições de saúde.

 

“Morre-se muito de diarreia e suas complicações", diz a médica. "São as mesmas causas que você encontra num campo de refugiados, de deslocados internos de qualquer outro lugar. Eles são bastante semelhantes ao que a gente vê em alguns grupos da Somália ou do Sudão.”

A Funasa diz que vai abrir uma auditoria para saber por que o dinheiro liberado este ano (mais de R$ 5,6 milhões) não melhorou o serviço e alega ter tentado contratar mais médicos, só que ninguém quer ir para o município. Diz ainda que a falta de motores para os barcos dificulta o atendimento e que recomendou estudo técnico para a compra de novos motores.

 

O Ministério do Desenvolvimento Social diz que as prefeituras em regiões isoladas não conseguem cadastrar todos os índios no programa Bolsa Família por causa da dificuldade de acesso, mas que já fez um convênio com o Exército e a Funai para melhorar a situação.

 

O Ministério de Minas e Energia disse que as populações da região serão beneficiadas pelo programa Luz para Todos até o final do ano.

 

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