O presidente Bharrat Jagdeo quer transformar a Guiana em um dos
países ambientalmente mais progressistas do mundo ao preservar
vastas extensões da sua floresta tropical - desde que as nações
ricas paguem por isso.
Em entrevista à agência Reuters, Jagdeo disse que,
como parte da prevenção à mudança climática, poderia determinar
a manutenção de cerca de 150 mil km² - aproximadamente a área do
Ceará - de matas ainda quase intactas no pequeno país ao norte
do Brasil, mediante o recebimento de uma quantia anual de até
US$ 580 milhões.
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O presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, quer que os países desenvolvidos financiem a conservação em seu país. (Foto: Agência Brasil)
"Podemos gerar dinheiro com a preservação das florestas,
podemos usar esses recursos para investir em oportunidades de
baixo (grau de emissões de) carbono, e podemos usar parte desse
dinheiro para tornar nossa economia resistente à (mudança)
climática", disse Jagdeo, que participa nesta terça (22) de
uma cúpula climática na sede da Organização das Nações Unidas
(ONU).
Ele lembrou que a destruição das florestas
tropicais provoca mais emissões de dióxido de carbono do que
todas as emissões de carros, caminhões, aviões e trens do mundo.
A Guiana tem menos de 1 milhão de habitantes, dos
quais 90% vivem no litoral. Jagdeo disse que o governo terá de
construir muros para proteger essa área mais habitada da
elevação do nível do mar, um dos efeitos mais notáveis do
aquecimento global.
Copenhague
Na opinião dele, o modelo guianense de preservação poderia ser
copiado por outros países e incorporado ao acordo climático que
deve ser aprovado em dezembro em uma reunião da ONU em
Copenhague, na Dinamarca.
"Até Copenhague, podemos mostrar um
verdadeiro modelo de país em funcionamento que trate de todas as
questões que nos deparamos nas negociações", afirmou.
Mas o maior entrave ao modelo proposto por ele,
segundo Jagdeo, é convencer os países ricos de que o dinheiro
será usado de modo transparente, e persuadir os governos dos
países pobres a abrirem mão da sua soberania quando decidirem
reservar enormes áreas para a conservação.
O Brasil, que tem a maior floresta tropical das
Américas, tradicionalmente é muito sensível a violações da sua
soberania sobre a Amazônia, e resiste à adoção de regras
externas relativas à preservação.
Os 190 países que participam das negociações para
a reunião de Copenhague ainda precisam definir os graus de
redução das emissões de gases do efeito estufa a serem cumpridos
até 2020 por países ricos e pobres, além de formas de
financiamento e transferência de tecnologia para combater o
aquecimento e adaptar o mundo às mudanças climáticas, o que
talvez exija um gasto de até 100 bilhões de dólares por ano.

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