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22/09/09 - 12h35 - Atualizado em 22/09/09 - 12h43

Guiana quer receber dinheiro para preservar a floresta amazônica

Presidente propõe que países ricos financiem conservação.
Para manter área do tamanho do Ceará, ele quer até US$ 580 mi ao ano.

Da Reuters

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O presidente Bharrat Jagdeo quer transformar a Guiana em um dos países ambientalmente mais progressistas do mundo ao preservar vastas extensões da sua floresta tropical - desde que as nações ricas paguem por isso.

Em entrevista à agência Reuters, Jagdeo disse que, como parte da prevenção à mudança climática, poderia determinar a manutenção de cerca de 150 mil km² - aproximadamente a área do Ceará - de matas ainda quase intactas no pequeno país ao norte do Brasil, mediante o recebimento de uma quantia anual de até US$ 580 milhões.

 

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Foto: Agência Brasil

O presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, quer que os países desenvolvidos financiem a conservação em seu país. (Foto: Agência Brasil)

 

"Podemos gerar dinheiro com a preservação das florestas, podemos usar esses recursos para investir em oportunidades de baixo (grau de emissões de) carbono, e podemos usar parte desse dinheiro para tornar nossa economia resistente à (mudança) climática", disse Jagdeo, que participa nesta terça (22) de uma cúpula climática na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ele lembrou que a destruição das florestas tropicais provoca mais emissões de dióxido de carbono do que todas as emissões de carros, caminhões, aviões e trens do mundo.

A Guiana tem menos de 1 milhão de habitantes, dos quais 90% vivem no litoral. Jagdeo disse que o governo terá de construir muros para proteger essa área mais habitada da elevação do nível do mar, um dos efeitos mais notáveis do aquecimento global.

 

 

Copenhague

 

Na opinião dele, o modelo guianense de preservação poderia ser copiado por outros países e incorporado ao acordo climático que deve ser aprovado em dezembro em uma reunião da ONU em Copenhague, na Dinamarca.

"Até Copenhague, podemos mostrar um verdadeiro modelo de país em funcionamento que trate de todas as questões que nos deparamos nas negociações", afirmou.

Mas o maior entrave ao modelo proposto por ele, segundo Jagdeo, é convencer os países ricos de que o dinheiro será usado de modo transparente, e persuadir os governos dos países pobres a abrirem mão da sua soberania quando decidirem reservar enormes áreas para a conservação.

O Brasil, que tem a maior floresta tropical das Américas, tradicionalmente é muito sensível a violações da sua soberania sobre a Amazônia, e resiste à adoção de regras externas relativas à preservação.

Os 190 países que participam das negociações para a reunião de Copenhague ainda precisam definir os graus de redução das emissões de gases do efeito estufa a serem cumpridos até 2020 por países ricos e pobres, além de formas de financiamento e transferência de tecnologia para combater o aquecimento e adaptar o mundo às mudanças climáticas, o que talvez exija um gasto de até 100 bilhões de dólares por ano.

 

 

 

Divulgação/Nasa

Imagem de satélite da Nasa, de 2004, mostra cobertura florestal da Guiana. (Foto: Nasa/Divulgação)

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