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23/09/09 - 20h35 - Atualizado em 24/09/09 - 00h10

Índios dominam política em São Gabriel da Cachoeira (AM)

Indígenas formaram chapa e conquistaram a prefeitura.
Em seis meses, no entanto, aliança se desfez.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional

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Em São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, assembleia de índio virou febre. Eles hoje dominam a política local e, assim como os não índios, têm de conviver com os atritos e desentendimentos que fazem parte da democracia.

 

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A cidade mais indígena do Brasil sempre foi controlada pelos brancos, fossem eles padres, militares, juízes ou prefeitos. Só que um dia, além de caçar, pescar, fazer roçado, os índios resolveram conversar, negociar, fazer política. Depois disso, tudo mudou e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) atua há quase vinte anos.

 

“Nessa maloca que vocês estão vendo aqui, já recebemos vários ministros de estado”, diz Renato da Silva Matos, presidente do conselho da Foirn. Gerenciamos aqui recursos de 11 milhões por ano! Daqui a gente se prepara para ir para políticas públicas”.

A grande vitória da entidade foi a demarcação e a homologação de um território indígena do tamanho de Portugal, em 1998. “Tinha que comemorar muito. A gente sentiu assim como se fosse resgatar um filho que você tinha, mas não reconhecia, não tinha nome”, justifica Abrahaão de Oliveira França, presidente da Foirn. Depois, novas lideranças foram surgindo.

“A melhor escola que eu tive foi esse período de 20 e poucos anos que eu fiquei no movimento indígena”, conta Pedro Garcia, prefeito de São Gabriel da Cachoeira, primeiro de uma chapa 100% indígena no Brasil.

“A dificuldade maior foi unir as etnias tukano com baniwa”, diz Antônio Cardoso de Araújo, vereador pelo PDT. Garcia, do PT, é um tariano criado entre os tukanos. O vice-prefeito, André Fernando, do PV, é baniwa. Eles fizeram história ao conquistar o poder.

“Na câmara, no momento, ainda ninguém levantou a voz da oposição”, afirma Williams Kleber Ferreira Alves , vereador do PRP. 

 

Quebra de aliança

 

Mas, como tantas alianças, essa não durou nem seis meses. “Não compartilhamos com essa forma de trabalhar. Acaba sendo antidemocrático, desconsidera toda a base aliada que formou para essa vitória”, reclama o vice-prefeito André fernando "Baniwa".

A briga entre André Fernando e Pedro Garcia foi feia e os dois mal se falam.

“Eu me senti como um marido traído nesse momento, né?”, relata o prefeito. A federação, temendo que o movimento indígena seja desacreditado pelas brigas na prefeitura, assumiu uma postura de independência, sem ligação com nenhum partido.

“A Foirn não é oposição ao prefeito. Ela exerce o seu controle social. Então nós não vamos, praticamente, deixar a coisa acontecer errado e ficar calado”, alerta Abrahaão de Oliveira, presidente da Foirn. “Isso pra nós é o máximo que podemos orientar o nosso parente que está na prefeitura”.

 

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