Uma força-tarefa criada para investigar o transporte ilegal de
madeira no Maranhão chegou à conclusão de que foram movimentados
irregularmente 98 mil caminhões de madeira no estado. Os
técnicos, liderados pelo Ibama, também descobriram indícios de
fraudes em 57% das empresas que movimentam madeira por meio do
sistema de controle eletrônico do estado – o Sisflora.
A dimensão das fraudes fez com que a Secretaria de
Meio Ambiente (Sema) do Maranhão anunciasse, na última
sexta-feira (25) a troca do Sisflora pelo sistema DOF,
gerenciado pelo Ibama e utilizado na maior parte dos estados brasileiros.
Serraria portátil é apreendida pelo Ibama em terra indígena do Maranhão. (Foto: Divulgação/Ibama)
“O Sisflora foi testado durante cinco meses, e observamos muitas fragilidades”, afirma o secretário de Meio Ambiente do Maranhão, Washington Rio Branco, que assumiu a pasta em abril, quando Roseana Sarney foi empossada governadora após a cassação de Jackson Lago.
saiba mais
Insegurança
Segundo Rio Branco, os trabalhos da equipe de força-tarefa
começaram em São Luís, mas tiveram que ser transferidos para a
capital brasileira por conta de pressão de empresas locais
envolvidas nas irregularidades. “Os ilícitos são tão grandes que
tivemos que transportar as pessoas à Brasília. É um problema
muito sério de crime organizado”, afirma.
O diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e
Florestas do Ibama, José Humberto Chaves, confirma as
dificuldades na investigação. “Pelo próprio número de empresas
envolvidas, o clima não é muito amistoso. Com certeza, os
técnicos que estão à frente disso estão sofrendo pressões em
função de tudo o que envolve essa questão.”
Lenha, toras e tábuas
De acordo com o Ibama, 653 de 1200 empresas cadastradas no
Sisflora apresentaram indícios de fraudes. A auditoria apontou a
movimentação irregular de 405 mil m³ de madeira em toras, 195
mil m³ de madeira serrada, 1.600 m³ de estéreos (metros cúbicos
incluindo o espaço entre as madeiras) de lenha, mourões ou
resíduos e 251 mil m³ metros de carvão.
Há suspeitas de que grande parte das toras e
tábuas pode ter vindo de parques, reservas e terras indígenas,
já que as florestas do Maranhão já sofreram grande devastação, e
há poucas árvores para cortar fora das áreas oficialmente
protegidas.
O cerrado maranhense também é desmatado. Segundo
Chaves, muita madeira é retirada de lá para abastecer as
siderúrgicas de Açailândia (MA). “É um estado que tem demanda
por madeira não só para serraria, mas também para carvão”, informa.
Veja como funcionam as fraudes no controle de transporte de madeira:
Desmatamentos, queimadas e notícias sobre toda a Amazônia
Legal podem ser encontradas no mapa interativo Amazônia.vc,
que também permite a internautas protestar contra a
destruição da floresta.
Saiba como utilizar o mapa
.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia

O Portal de Notcias da Globo