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02/10/09 - 10h21 - Atualizado em 02/10/09 - 10h21

Movimentos sociais do Xingu reagem à declaração de Edison Lobão

Para ministro, ‘forças demoníacas’ impedem a realização de hidrelétricas.
Organizações dizem que setor elétrico ‘desdenha’ povos da Amazônia.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Organizações sociais questionaram, nesta quinta-feira (1º), as declarações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em relação à construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. 

 

Na última terça-feira (29), Lobão disse que via "forças demoníacas" impedindo a realização de usinas hidrelétricas de grande porte no país. A declaração foi dada durante a abertura do 6º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2009), enquanto o ministro comentava as dificuldades enfrentadas para a obtenção de licenças ambientais para a construção de Belo Monte.

 

Em carta pública, a organização Movimento Xingu Vivo para Sempre, que questiona a construção da usina, classifica a obra como “nefasto projeto” e diz que o setor elétrico desrespeita os povos indígenas e desdenha povos da Amazônia.

“Tratar aqueles que contestam o famigerado projeto de Belo Monte, que diga-se de passagem estão lutando por sua sobrevivência, de ‘forças demoníacas’ demonstra a que ponto o setor elétrico brasileiro desdenha, despreza, desconsidera os povos e comunidades da Bacia Amazônica”, diz a carta. 

Obra polêmica

Apesar da resistência dos movimentos sociais, Edison Lobão garante que o leilão para a construção da usina ocorrerá ainda em 2009. A obra está estimada em aproximadamente 10 bilhões de dólares, segundo cálculos preliminares do governo.

O projeto está previsto para entrar em operação entre 2013 e 2014 e terá capacidade de ao menos 11 mil megawatts. A usina é o maior projeto hidrelétrico do Brasil, depois da binacional de Itaipu, uma parceria entre Brasil e Paraguai, e é considerada pelo governo como fundamental para garantir o crescimento do país nos próximos anos.

A obra, contudo, desperta polêmica por alagar área bem preservada da Amazônia, ocupada por índios e ribeirinhos. As audiências públicas para a construção da usina também são questionadas pelo Ministério Público Federal.

 

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