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04/10/09 - 07h05 - Atualizado em 04/10/09 - 07h05

Fisioterapeuta usa boto-cor-de-rosa para tratar crianças

Trabalho voluntário é feito no Rio Negro, no Amazonas.
Contato com animal ajuda crianças a adquirirem autoconfiança.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Enquanto há pessoas que usam partes do corpo do boto-cor-de-rosa como amuleto ou para simpatias, um fisioterapeuta de Manaus resolveu utilizar os animais – desta vez, vivos e soltos – para ajudar crianças com necessidades especiais.

 

O contato com o mamífero, que também é chamado de boto vermelho, tem ajudado pequenos pacientes a desenvolver habilidades físicas e a se sentirem mais autoconfiantes. O trabalho é feito voluntariamente e já foi batizado de "bototerapia".

 

Foto: Eliel Jacaré/Divulgação

Maior parte das crianças submetidas ao tratamento com golfinhos de rio têm problemas sanguíneos, como leucemia e anemia falciforme. (Foto: Eliel Jacaré/Divulgação)

O tratamento é realizado uma vez por mês nas margens do Rio Negro, a 35 quilômetros de Manaus. De barco, cinco crianças chegam até uma base, onde fazem atividades físicas e aprendem sobre os golfinhos de água doce. O momento mais esperado é a entrada na água, quando podem ver de perto e até tocar nos botos-cor-de-rosa.

“Trabalhamos alongamento, psicomotricidade, equilíbrio. As crianças se encantam, participam. Há um encantamento lúdico”, relata o fisioterapeuta Igor Simões, responsável pela atividade. Segundo ele, 99 crianças já passaram pelo tratamento, que ocorre há quatro anos.

 

Foto: Eliel Jacaré/Divulgação

Tratamento é realizado no Rio Negro, a 35 km de Manaus. (Foto: Eliel Jacaré/Divulgação)

 

O principal público-alvo de Simões são crianças que têm problemas sanguíneos, como leucemia e anemia falciforme. “Muitas dessas crianças têm que passar por tratamentos pesados, como quimioterapia. Elas ficam tristes, com auto-estima baixa”, conta.

Todo o trabalho é feito de forma voluntária. A estrutura é cedida por um hotel da região, e os outros profissionais envolvidos – como médicos, biólogos e tratadores de golfinhos – não cobram nada pela participação. “Estamos sempre procurando parcerias para expandir o trabalho, pois hoje só podemos atender as crianças uma vez por mês”, afirma Simões. 

 

Foto: Eliel Jacaré/Divulgação

Para autorizar a 'bototerapia', o Ibama impôs regras para a alimentação dos animais: os golfinhos só podem ganhar peixes que fazem parte do seu cardápio natural. (Foto: Eliel Jacaré/Divulgação)

Licença do Ibama

O tratamento com os golfinhos já tem autorização do Ibama de Manaus. Para permitir a atividade, o órgão ambiental exigiu que os animais só fossem alimentados com peixes que já fazem parte de sua dieta, e que a quantidade de alimento não ultrapassasse 0,5% do peso do boto – o que corresponde a aproximadamente 750 gramas.

Para o fisioterapeuta, a bototerapia ajuda a proteger os bichos, já que as crianças passam a valorizá-los mais. “Qualquer experiência com a natureza reverbera dentro da criança como uma ética ambiental”, defende Simões.

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