Materiais inusitados têm sido usados pelos pesquisadores do Inpa
(Instituto Nacional de Pesquisas da Amazôna) para fabricar
papel. Pelos de caroço de açaí e pó de couro de peixe, que
geralmente são descartados por indústrias da região, substituem
a madeira no laboratório de celulose do centro de pesquisas.
Para transformar peixes em papel, pesquisadores
utilizaram um material desperdiçado pelos curtumes. “Existem
algumas indústrias que usam a pele [de peixes] para fazer couro.
Quando a pele entra no fulão [cilindro giratório usado para
processar o couro], cai um pó, que entra no processo de criação
de pasta celulósica”, explica a pesquisadora Marcela Cavalcanti,
chefe do laboratório.
Papéis são produzidos a partir de matérias-primas alternativas no laboratório do Inpa. Ao centro, em branco, está o papel confeccionado a partir do pó de couro de peixe. (Foto: Inpa/Divulgação)
O resultado é um papel especial, mais emborrachado, que pode até ser impermeável, dependendo dos produtos químicos utilizados no tratamento. “Ele serve para impressão, embalagens. Artesãos têm se interessado em usá-lo para fazer embalagens, e arquitetos, para decoração interna.”
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Pelo de açaí
No caso do açaí, a fabricação do papel é mais parecida com a
convencional. “Cooperativas usam a amêndoa para produção de óleo
ou o caroço para artesanato. Nos dois processos, o pelo que
cobre o caroço é descartado”, conta Marcela.
O pelo da fruta – parecido com aqueles que
envolvem o coco-da-baía – é transformado em celulose, e surge um
papel mais parecido com o papel comum. Tanto no caso do açaí
quanto do peixe, os pesquisadores também experimentaram a
mistura com restos de papel que seria reciclado, e a mistura deu certo.
Patente
Como as pesquisas ainda estão em andamento, os papéis ainda não são confeccionados em escala industrial. Segundo a chefe do laboratório de celulose, ainda são necessários estudos para ver se há oferta de matéria-prima suficiente para alimentar uma fábrica que faça papéis desse tipo.
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