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09/10/09 - 06h50 - Atualizado em 09/10/09 - 06h50

Tartarugas-da-Amazônia começam a desovar nas praias do Pará

Predadores e caçadores aproveitam momento para capturar animal.
Em reserva, fiscais criam mecanismos para proteger a postura dos ovos.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Com o fim das chuvas e a diminuição do nível dos rios na região Norte, milhares de tartarugas-da-Amazônia começaram nesta semana a cavar buracos para colocar seus ovos dentro nas praias da Reserva Biológica do Rio Trombetas, no noroeste do Pará.

Elas escolhem sete pontos para desovar, e esses lugares são vigiados por 15 fiscais que se revezam, garantindo proteção 24 horas por dia contra predadores naturais e humanos. “Nessa fase, elas ficam bem mais vulneráveis para a caça, porque quando sobem para a praia, geralmente à noite, as pessoas ficam esperando e capturam o animal”, conta o chefe da reserva, Carlos Augusto Pinheiro.

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Tartarugas-da-Amazônia usam praias e bancos de areia para desovar. (Foto: ICMBio/Divulgação)

A abertura dos ovos dos répteis está prevista para o final do ano. Quando chega essa hora, as praias recebem uma cerca para evitar que os filhotes sejam atacados por outros animais. No ano passado, foi registrado o nascimento de 50.580 filhotes tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) e 4.100 filhotes de tracajá (Podocnemis unifilis) e pitiú (Podocnemis sexturberculata).

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Rio Trombetas fica no noroeste do Pará e é um dos afluentes do Amazonas. (Foto: ICMBio/Divulgação)

Trabalho voluntário

A caça indiscriminada – a carne da tartaruga é prato apreciado na Amazônia – e o aumento do fluxo de barcos fizeram diminuir a população dos répteis na região. Para tentar reverter o problema, todo o ciclo de nascimento é acompanhado de perto, inclusive pelos moradores vizinhos à reserva. 

 

 

Crianças ajudam a soltar tartarugas recém-nascidas. Em 2008, mais de 50 mil répteis nasceram dentro da reserva. (Foto: ICMBio/Divulgação)

“Os adultos ajudam no trabalho da proteção e remoção dos ninhos, quando eles correm o risco de serem inundados. Na soltura dos filhotes, trabalhamos com as crianças, professores e líderes das comunidades”, explica Pinheiro.

Segundo o chefe da reserva, como o número de tartarugas ainda é reduzido, até a caça para consumo próprio está proibida. “As pessoas têm outras alternativas [para alimentação], como a pesca e até a caça de outros animais.”

 

Para não prejudicar a postura dos ovos, embarcações também estão proibidas de passar perto dos tabuleiros – como são chamadas as praias e bancos de areia – no período noturno.

 

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